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Trabalhar no notebook sem suporte pode gerar lesões permanentes? Ortopedista responde

Ortopedista explica o que causa dor e lesões na coluna ao trabalhar por longas horas em frente ao computador

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Retrato de uma jovem estressada sentada à mesa do escritório em casa, em frente ao laptop, tocando as costas doloridas com uma expressão de dor, sofrendo de cefaleia após trabalhar no computador.
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Trabalhar no notebook por longos períodos e em condições inadequadas pode favorecer dores no pescoço, nos ombros e na região lombar. Porém, não é correto afirmar que somente o uso do equipamento sem suporte provoque uma lesão permanente.

"O desenvolvimento de dor musculoesquelética é multifatorial e pode estar relacionado ao tempo de exposição, à permanência prolongada em uma mesma posição, à repetição de movimentos, à ausência de pausas, ao condicionamento físico, às características individuais e à organização do ambiente de trabalho", explica Daniel Oliveira, médico ortopedista especialista em coluna vertebral.

Um dos problemas do notebook é a posição da tela quando o aparelho fica diretamente sobre a mesa. "A tela frequentemente permanece abaixo de uma altura confortável, fazendo com que a pessoa mantenha a cabeça e o pescoço inclinados por períodos prolongados. Isso pode aumentar a demanda sobre a musculatura cervical e dos ombros, favorecendo fadiga, desconforto e dor", afirma o especialista.

Daniel Oliveira ressalta, no entanto, que não existe uma postura única capaz de proteger a coluna durante toda a jornada. "Nosso sistema musculoesquelético tolera diferentes posições e precisa de movimento. Permanecer muitas horas parado em uma mesma posição pode ser mais relevante do que pequenos desvios de uma postura considerada ideal. Por isso, ergonomia, variação postural e movimento devem caminhar juntos."

O ortopedista também desfaz a ideia de que manter o pescoço inclinado durante o uso do computador necessariamente provoca hérnia de disco ou desgaste da coluna. "Hérnias, protrusões e alterações degenerativas dos discos são fenômenos multifatoriais, relacionados à história natural do envelhecimento dos tecidos, predisposição individual e diversos outros fatores. Inclusive, alterações nos discos podem ser identificadas em exames de imagem de pessoas que não apresentam qualquer sintoma."

Para reduzir a sobrecarga, uma das adaptações recomendadas é elevar a tela do notebook. "O ideal é utilizar também teclado e mouse externos, permitindo que a tela e os membros superiores sejam posicionados de maneira independente. Simplesmente elevar o notebook e continuar utilizando seu teclado pode criar uma posição desconfortável para braços e ombros", orienta.

Além da posição do equipamento, cadeira, mesa e apoio dos pés também devem contribuir para o conforto durante o trabalho. "Mais do que perseguir ângulos rígidos ou uma suposta postura perfeita, o objetivo da ergonomia é reduzir posições desconfortáveis mantidas por períodos prolongados e facilitar a alternância de posições", explica o especialista.

Pausas e a prática de atividade física também fazem parte da prevenção. "Levantar-se periodicamente, caminhar, mudar de posição e interromper períodos muito prolongados de comportamento sedentário são estratégias simples para reduzir a exposição contínua à mesma demanda física." O especialista acrescenta que exercícios de fortalecimento, mobilidade e condicionamento físico ajudam o organismo a tolerar melhor as demandas do trabalho.

"Dor persistente ou progressiva, formigamento contínuo, alteração de sensibilidade, perda de força, dificuldade para caminhar ou perda de destreza nas mãos não devem ser atribuídos simplesmente à ‘má postura’. Nesses casos, é indicada avaliação médica", completa.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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