Tumores na pele de Mari Maria não tem relação com excesso de maquiagem, explica especialista
Odermatologista Lucas Miranda esclareceu que não existe qualquer evidência científica de que o uso excessivo de maquiagem provoque o surgimento de seringomas

A influenciadora digital e maquiadora Mari Maria, de 33 anos, mostrou parte do tratamento para seringomas, pequenos tumores benignos originados nas glândulas sudoríparas. Após compartilhar o procedimento, internautas passaram a questionar se a condição poderia estar relacionada ao uso frequente de maquiagem.
Em entrevista à Itatiaia, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esclareceu que não existe qualquer evidência científica de que o uso excessivo de maquiagem provoque o surgimento de seringomas.
"Essas lesões têm origem nas glândulas sudoríparas e estão relacionadas principalmente a fatores genéticos e individuais, não ao uso de cosméticos. Embora alguns produtos possam favorecer irritações, acne ou dermatites em pessoas predispostas, eles não causam o desenvolvimento de seringomas", explicou.
O que causa o seringoma?
Segundo Lucas Miranda, o seringoma é um tumor benigno que se desenvolve nos ductos das glândulas sudoríparas écrinas. A condição costuma se manifestar por pequenas pápulas da cor da pele ou levemente amareladas, com tamanho entre 1 e 3 milímetros, localizadas principalmente ao redor dos olhos. As lesões também podem surgir no pescoço, tórax, abdômen e região genital.
De acordo com o especialista, a causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas há forte influência genética em muitos casos. "O quadro é mais frequente em mulheres e geralmente aparece na adolescência ou no início da vida adulta. Algumas condições, como a síndrome de Down e, mais raramente, o diabetes mellitus, também podem estar associadas ao desenvolvimento de alguns tipos de seringoma", detalhou.
Como é o tratamento?
Por ser uma lesão benigna, o seringoma não exige tratamento do ponto de vista médico. A remoção costuma ser indicada por motivos estéticos ou quando as lesões causam desconforto ao paciente. Entre as opções estão laser de CO₂, eletrocauterização, radiofrequência, métodos químicos e, em casos selecionados, excisão cirúrgica.
"Como as lesões se localizam na derme, a remoção completa pode ser desafiadora, especialmente na região das pálpebras, onde a pele é bastante delicada", afirmou o dermatologista.
O médico ressalta que, mesmo após o tratamento, existe a possibilidade de recorrência. "O objetivo costuma ser melhorar significativamente a aparência das lesões, preservando a integridade da pele e reduzindo o risco de cicatrizes", acrescentou.
Seringoma é grave?
Lucas Miranda destaca que o seringoma não representa risco à saúde e não possui potencial de transformação maligna. "A lesão tende a permanecer estável ao longo do tempo ou aumentar lentamente em número, sem comprometer outros órgãos ou estruturas", explicou.
Apesar disso, ele recomenda que qualquer lesão nova ou com aparência incomum seja avaliada por um dermatologista. "É importante confirmar o diagnóstico e descartar outras doenças que podem ter aparência semelhante", disse.
Nem toda bolinha ao redor dos olhos é um seringoma
Por fim, o especialista alertou que nem toda pequena lesão na região dos olhos corresponde a um seringoma. Entre os diagnósticos que podem ser confundidos com a condição estão o milium, o xantelasma, a hiperplasia sebácea, além de outros tumores benignos e até malignos.
"O diagnóstico deve ser feito por um dermatologista, que poderá indicar a melhor abordagem para cada caso. Quando o tratamento é realizado, a escolha da técnica deve priorizar não apenas a remoção das lesões, mas também a preservação da qualidade da pele, especialmente em áreas delicadas como as pálpebras, onde o risco de cicatrizes e alterações de pigmentação deve ser cuidadosamente considerado", concluiu.
André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.



