Polilaminina: saiba quem é Tatiana Sampaio, pesquisadora à frente do estudo

Bióloga da UFRJ pesquisa regeneração da medula espinhal há décadas; especialista explica como a Polilaminina pode atuar no organismo

Bióloga da UFRJ pesquisa regeneração da medula espinhal há décadas

A bióloga Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a principal responsável pelo estudo da polilaminina, substância experimental investigada como possível terapia para lesões da medula espinhal. A cientista dedica mais de duas décadas à pesquisa sobre regeneração neural.

Nascida em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Tatiana demonstrou interesse pela Biologia ainda na escola. Toda a sua formação acadêmica foi construída na UFRJ, onde concluiu a graduação em Ciências Biológicas (1986), o mestrado (1990) e o doutorado (1992).

Após o doutorado, realizou dois estágios de pós-doutorado no exterior: um em imunoquímica na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e outro sobre inibidores de angiogênese na Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha. Em 1995, ingressou como professora da UFRJ.

Dois anos depois, em 1997, iniciou as pesquisas que deram origem à polilaminina. Atualmente, Tatiana coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, onde lidera estudos sobre proteínas da matriz extracelular e suas aplicações terapêuticas.

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Nos últimos meses, o trabalho da pesquisadora ganhou maior visibilidade pública.

Na última semana,durante apresentação em um camarote na Marquês de Sapucaí, o cantor João Gomes interrompeu o show para homenageá-la, chamando-a de “a maior celebridade” presente no local.

Como a polilaminina funciona

Segundo o ortopedista especialista em coluna vertebral Daniel Oliveira, a polilaminina é um composto biotecnológico de caráter experimental derivado da laminina, proteína naturalmente presente na matriz extracelular e importante para a organização das células, especialmente no sistema nervoso.

O especialista explica que a proposta do biomaterial é reproduzir, ou mimetizar, as funções da laminina no organismo. Em teoria, a substância cria um microambiente mais favorável para a sobrevivência dos neurônios, para o funcionamento das células da glia e para uma possível reorganização das conexões neurais após uma lesão medular.

O especialista ressalta que há indícios de efeitos neuroprotetores e potencial regenerativo em modelos experimentais, principalmente em estudos laboratoriais e em animais. No entanto, ele alerta que os mecanismos de ação em seres humanos ainda não estão totalmente esclarecidos.

A Anvisa já aprovou o início de um estudo clínico oficial previsto para março. Caso as três fases de testes sejam bem-sucedidas, a expectativa é que a polilaminina possa se tornar disponível para uso mais amplo nos próximos anos.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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