Prestes a começar o
Desenvolvido no país, o tratamento começou a ser pesquisado há quase 30 anos pela bióloga Tatiana Sampaio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e já tem 55 pedidos de pacientes na Justiça para receber a terapia. Até agora, 30 foram aprovados.
Miriam Magro, pedagoga, caiu da escada de casa e fraturou a coluna. Ela é uma das pacientes que irá receber a polilaminina. “Tenho muita fé em Deus, além da esperança”, desabafou em entrevista ao Fantástico, nesse domingo (23).
Até agora, oito pacientes estão sendo tratados com polilaminina em um estudo ainda acadêmico. Conforme Tatiana, entre eles, os avanços foram considerados históricos, saltando de 10% para 75%. “Com lesão completa, o que se vê na literatura é que apenas 10% das pessoas recuperam função motora. No nosso estudo acadêmico, foi 75%”, destacou.
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A polilaminina é formada a partir da laminina, uma proteína naturalmente produzida por diversos animais, inclusive pelos seres humanos, e envolvida em diferentes processos biológicos. Se tudo der certo, a polilaminina pode estar disponível em até cinco anos.
No caso de Diogo Brollo, vidraceiro que caiu do segundo andar de uma casa enquanto trabalhava, ele ficou sabendo sobre a substância após a irmã pesquisar sobre o assunto e não aceitar a situação. Ele entrou na Justiça para conseguir participar do tratamento e passou por três hospitais. Os resultados apareceram na semana seguinte.
“Eram duas da manhã quando perdi o sono e alguma coisa me falou: mexe o pé. Aí mandei o comando para o pé direito e consegui mexer o pé inteiro. Acordei minha esposa e mostrei para ela”, contou ele, emocionado.
Atualmente, Diogo tem controle da bexiga, consegue mexer os joelhos e teve a sensibilidade ampliada. Antes era até o peito; agora desceu para o diafragma. “Consigo contrair a barriga e fazer o movimento de tentar levantar. Isso me deixou muito feliz.”
Ainda segundo os estudos, para ser eficiente, a polilaminina deve ser injetada preferencialmente até três dias após o trauma, já que a medula começa a formar uma cicatriz ao redor dos axônios. “Quanto mais tempo de cicatrização, mais difícil é a ação da polilaminina”, explicam os pesquisadores.
Por enquanto, a polilaminina foi testada apenas em um tipo específico de paciente: aqueles que tiveram rompimento completo da medula. Mas um ponto a destacar, segundo a bióloga Tatiana Sampaio, que desenvolveu a substância, é o conjunto do tratamento, como a fisioterapia.
“É muito importante que haja fisioterapia adequada e que seja iniciada rapidamente, porque a junção dela com a polilaminina contribui para o processo completo”, ressaltou.