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Polilaminina: Hospital de Barbacena realiza segunda aplicação em paciente paraplégico

Paciente de 51 anos sofreu grave acidente de moto e chegou ao hospital com quadro de paraplegia; após aplicação da polilaminina, homem relata maior autonomia em atividades do cotidiano

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Médico manuseia frasco com polilaminina e seringa para aplicação
Viviane Matoba

O Hospital Regional de Barbacena, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), realizou sua segunda aplicação de polilaminina, substância experimental usada no tratamento de lesões medulares agudas. Fábio Vilela e Silva, de 51 anos, recebeu o tratamento após sofrer um grave acidente de moto.

O paciente é morador de Mangaratiba, no Rio de Janeiro, e sofreu um trauma raquimedular (TRM) grave, com fraturas nas vértebras T3 e T4. Ele chegou ao hospital com quadro de paraplegia há pouco mais de três meses e passou por cirurgia para descomprimir a medula e estabilizar a região lesionada.

Fábio passou por avaliação de critérios de elegibilidade e recebeu a polilaminina poucos dias depois do acidente, em junho deste ano. Atualmente, o paciente segue em processo de reabilitação com acompanhamento especializado.

“Eu estava muito desanimado, só chorava. Cada enfermeira enxugava minhas lágrimas e me dava uma palavra de carinho. Quando o helicóptero chegou com a polilaminina, as enfermeiras vieram comemorar com a gente. Foi um momento especial, que fez toda a diferença”, afirma Fábio. Ele relata que sente menos dores e tem mais autonomia em atividades do cotidiano.

O neurocirurgião João Vitor Fortuna, que participou do tratamento de Fábio, lembra que a polilaminina ainda está em fase de estudos. “Apesar das expectativas de melhora, precisamos de mais tempo para avaliar adequadamente os resultados”, diz o médico.

O que é a polilaminina?

O medicamento é feito à base de laminina, uma proteína produzida pelo corpo humano e presente principalmente na placenta. A substância atua no desenvolvimento do embrião, organizando os tecidos e coordenando o crescimento das células.

A polilaminina é um complexo dessa proteína. A substância age no tratamento de pessoas com lesão na medula, oferecendo suporte à célula atingida. Com essa "ajuda", os axônios conseguem restabelecer a conexão com o neurônio, perdida na lesão, e recuperar a capacidade de movimento.

Para isso, os cientistas extraíram a proteína da placenta de mulheres convidadas a doar o órgão. A partir daí, inicia-se o processo de extração e purificação. No momento da cirurgia, o médico aplica a polilaminina, que forma uma espécie de "rede" no local da lesão.

Quem pode usar a polilaminina?

Os pacientes que já fizeram tratamento com a polilaminina precisaram de liminares expedidas pela Justiça. Já as empresas responsáveis por desenvolver o medicamento devem preencher solicitação de uso junto à Anvisa. Para isso, é necessário possuir CNPJ cadastrado na agência e usuário com perfil ou vínculo apropriado para acesso ao sistema Solicita.

Nesses casos, o tratamento é feito por meio do uso compassivo, em que o medicamento ou produto em questão deve estar em estudo clínico de fase 3, em desenvolvimento ou já concluído. Essa modalidade destina-se a grupos de pacientes com doenças graves, debilitantes ou que ameaçam a vida, para as quais não existem alternativas terapêuticas satisfatórias.

*Com informações de Agência Minas Gerais

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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