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Conhecimento de gestantes sobre o VSR sobe de 58% para 70% em dois anos, mas 79% ainda têm dúvidas

Levantamento ouviu 530 gestantes e aponta que 46% não sabem que a prevenção contra o VSR é oferecida na rede pública no Sudeste

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Conhecimento de gestantes sobre o VSR sobe de 58% para 70% em dois anos, mas 79% ainda têm dúvidas • Pixabay

O conhecimento sobre o vírus sincicial respiratório (VSR) e a bronquiolite cresceu entre gestantes brasileiras entre 2024 e 2026. O percentual de entrevistadas que dizem conhecer ou já ter ouvido falar do vírus passou de 58% para 70%, segundo pesquisa do Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipsos-Ipec) realizada a pedido da Pfizer, fornecedora da vacina para o SUS.

O levantamento ouviu 530 gestantes de todos os estados, com idades entre 18 e 45 anos. Apesar dos avanços, 79% das entrevistadas apresentaram ao menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre o tema. Só 13% responderam corretamente a todas as afirmações avaliadas.

A bronquiolite subiu de posição entre as preocupações das gestantes. Em 2026, ela é apontada como a principal doença infectocontagiosa que preocupa esse público: 60% das entrevistadas a citaram, ante 40% em 2024. Entre as pesquisadas, 46% reconhecem que a doença pode ser grave, com risco de hospitalização e morte, especialmente para bebês e idosos.

Diferenças regionais

Os avanços variam por região. No Sudeste, 74% das gestantes dizem conhecer ou já ter ouvido falar do VSR, 21 pontos percentuais a mais do que em 2024. A bronquiolite também ganhou espaço como preocupação nessa região, passando de 40% para 55%. Já o reconhecimento do risco de internação e morte subiu de 33% para 43%, segundo a médica Adriana Ribeiro.

No Norte e Centro-Oeste, a percepção da doença saltou de 12% para 47%. Metade das gestantes dessas regiões já reconhece que a bronquiolite pode ser grave, o dobro do registrado em 2024. A associação entre a bronquiolite e o VSR também avançou: 40% das gestantes do Norte e Centro-Oeste já fazem essa conexão, 11 pontos percentuais a mais do que em 2024.

"No Norte e Centro-Oeste, praticamente todas as gestantes já ouviram falar da bronquiolite. O que ainda está em construção é entender a relação entre o vírus e a doença, e a gravidade. No Sudeste, cresceu de 33% para 43% o número de gestantes que reconhecem o risco de internação e morte. No Norte e Centro-Oeste, 40% já associam a bronquiolite ao VSR, 11 pontos a mais que em 2024. Ou seja, ouvir falar da doença, conhecer o vírus e entender a relação entre os dois são etapas diferentes da conscientização", avaliou a médica Adriana Ribeiro.

Vacinação e lacunas no SUS

A imunização contra o VSR foi autorizada no Brasil em 2024 e incorporada ao SUS em dezembro de 2025. Mesmo assim, parcelas expressivas das gestantes ainda desconhecem essa disponibilidade: 46% das entrevistadas no Sudeste e 38% no Norte e Centro-Oeste não sabem que a prevenção contra o VSR existe na rede pública.

A cobertura nacional entre gestantes está em torno de 84%, mas estados como São Paulo, Rio de Janeiro e vários do Norte ficam abaixo de 80%, de acordo com a médica Adriana Ribeiro. "O pré-natal é o momento-chave para fechar essa lacuna", afirmou a médica.

O salto mais expressivo identificado pela pesquisa foi o reconhecimento de que é possível se vacinar contra a bronquiolite durante a gravidez. Em 2026, 72% das entrevistadas afirmam saber da existência de um calendário vacinal específico para gestantes, contra 58% em 2024. A indicação médica também avançou: 88% das entrevistadas relataram ter recebido recomendação de vacinação durante a gestação, ante 77% em 2024. Entre as que receberam essa orientação, 96% afirmam seguir ou pretender seguir a recomendação.

Ainda persistem, porém, equívocos sobre a dinâmica da imunização. Um quarto das gestantes acredita que deve seguir apenas o calendário correspondente à sua faixa etária, sem considerar a proteção que a vacinação materna pode transferir ao bebê. Além disso, 31% ainda não reconhecem que algumas vacinas recomendadas na gestação também contribuem para a imunização do recém-nascido.

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