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Estudo com jovens brasileiros identifica marcador genético ligado à gravidade da depressão

Pesquisa acompanhou 2.163 pessoas de 6 a 23 anos e aponta que maior risco genético está associado à evolução mais grave dos sintomas

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Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um estudo com 2.163 crianças e jovens brasileiros identificou uma associação entre fatores genéticos e a evolução da depressão ao longo da infância, adolescência e início da vida adulta. A pesquisa indica que pessoas com maior pontuação em um marcador conhecido como escore de risco poligênico tendem a apresentar um agravamento mais rápido dos sintomas depressivos.

O levantamento foi realizado por pesquisadores do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), com participantes de São Paulo e Porto Alegre. Os voluntários tinham entre 6 e 23 anos e foram acompanhados em três diferentes fases do desenvolvimento.

Além da evolução dos sintomas, os pesquisadores encontraram uma associação entre o maior risco genético e a ocorrência de autolesão não suicida entre jovens que já haviam sido diagnosticados com transtorno depressivo maior. O comportamento consiste em provocar intencionalmente lesões no próprio corpo sem a intenção de causar a morte.

Os resultados foram publicados em julho na revista científica Biological Psychiatry e são considerados relevantes porque a maioria das pesquisas anteriores sobre risco genético para depressão foi realizada com pessoas de ancestralidade europeia. A população brasileira, marcada por ampla miscigenação, ainda é pouco representada nesse tipo de estudo.

O que é o risco poligênico?

A depressão é uma doença complexa, influenciada por uma combinação de fatores genéticos, ambientais e sociais. Em vez de depender de uma única alteração no DNA, a predisposição genética envolve a participação de diversas variantes genéticas.

O chamado escore de risco poligênico reúne essas informações para estimar a predisposição genética de uma pessoa a determinada condição. No caso da pesquisa brasileira, os cientistas analisaram um escore relacionado ao transtorno depressivo maior. O objetivo foi verificar se essa medida poderia indicar somente uma maior predisposição para desenvolver depressão ou se também estaria relacionada à maneira como os sintomas evoluem com o passar dos anos.

"Nosso artigo buscou responder se o risco genético para depressão apenas define um ponto de partida para o surgimento do transtorno ou se também molda a forma como os sintomas evoluem à medida que um jovem cresce", explicou o psiquiatra Marcelo Brañas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos autores do estudo.

Genética pode indicar trajetória mais grave

A análise mostrou que os jovens com maior pontuação no escore genético apresentaram uma trajetória de agravamento mais rápido dos sintomas depressivos. De acordo com os pesquisadores, o resultado sugere que a genética pode ter participação ativa na evolução clínica da doença, e não apenas representar uma predisposição inicial.

A associação também apareceu entre os participantes que já tinham diagnóstico de transtorno depressivo maior. Nesse grupo, uma maior pontuação de risco genético esteve relacionada a uma maior suscetibilidade à autolesão não suicida.

Para Lucas Ito, pesquisador da Unifesp e coautor do estudo, o risco poligênico apresentou relativa especificidade para o transtorno depressivo maior e foi capaz de identificar um curso de evolução mais grave da depressão dentro do grupo analisado.

Estudo não permite prever a depressão individualmente

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o marcador genético ainda não permite prever, sozinho, se uma pessoa desenvolverá depressão ou qual será a gravidade da doença. Os dados genéticos precisam ser combinados a informações clínicas e ambientais para que, no futuro, seja possível desenvolver ferramentas capazes de fazer previsões individuais com maior precisão.

Isso é particularmente importante no caso da depressão porque fatores como experiências de vida, condições sociais e outros aspectos ambientais também participam do desenvolvimento e da evolução do transtorno.

A pesquisa, portanto, não propõe que a genética determine o destino de uma pessoa. O resultado aponta, na verdade, que informações genéticas podem ser incorporadas a outros dados para ajudar profissionais a identificar indivíduos que eventualmente necessitem de acompanhamento mais próximo.

A expectativa é que esse conhecimento contribua para o monitoramento e a intervenção psiquiátrica precoce, especialmente durante fases do desenvolvimento em que os sintomas podem se modificar rapidamente. Se informações genéticas puderem ser combinadas de maneira segura com dados clínicos e ambientais, elas poderão ajudar a identificar jovens que apresentem maior probabilidade de desenvolver trajetórias mais graves da depressão.

O estudo foi orientado por Euripedes Constantino Miguel, coordenador do CISM, com coorientação de Pedro Mario Pan, da BHRC e da Unifesp, e mentoria de Lois Choi-Kain, da Harvard University, nos Estados Unidos. A equipe reúne pesquisadores da Unifesp, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) e Centro Universitário Max Planck (UniMAX).

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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