Setembro Verde: saiba como funciona a doação e o transplante de rim
Campanha busca conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos

Neste mês, celebra-se a campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização e ao incentivo à doação de órgãos e tecidos. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 49 mil brasileiros estão na fila à espera de transplante. Desses, cerca de 45 mil aguardam um rim.
As causas mais comuns de transplante de rim são diabetes e hipertensão. O diagnóstico da doença renal é feito, principalmente, por meio de exames de creatinina no sangue e exame de urina.
O nefrologista André Pereira, coordenador de transplante renal do Hospital da Baleia, explica que os pacientes aguardam o transplante de rim em uma fila maior que as demais, pois é possível mantê-los vivos por meio da diálise. No caso de necessidade de transplantes de outros órgãos, o paciente morre se o procedimento não for realizado a tempo.
“A questão diferencial do transplante de rim em relação aos outros órgãos é que o paciente com doença renal em estágio avançado, que precisa de diálise, consegue esperar mais tempo. Existem cerca de 170 mil pessoas no Brasil em diálise, com a grande maioria (mais de 90%) em hemodiálise. Deste montante, apenas um a cada três ou quatro pacientes pode entrar na lista de transplante. E a lista vai aumentando porque há um maior número de pacientes em diálise devido ao tempo de sobrevida que a diálise proporciona, além da medicina ter melhorado e o diagnóstico ter ficado mais precoce”, explica o especialista durante participação no programa Rádio Vivo, da Itatiaia, nesta sexta-feira (11).
Nesse caso, não é necessário transplantar os dois rins. “Somente um já vai dar conta de tirar o paciente da diálise. Tem gente que nasce com um rim só, morre com um rim só e nem sabem, pois não é uma anormalidade tão incomum” , afirma o médico.
Por esse motivo, é possível captar doadores vivos. “Há também a questão do tempo de espera na fila, pois o paciente precisa aproveitar a oportunidade no momento em que está bem de saúde para conseguir receber o órgão, antes que o quadro piore”, alerta o médico nefrologista.
Também há a possibilidade de transplante de rim de doador falecido. “O transplante com doador falecido depende da conscientização da população para a doação renal, já que grande parte do problema é a recusa familiar em um momento difícil e delicado de perda. No entanto, um único doador falecido pode doar dois rins (beneficiando duas pessoas), além de fígado, coração, pulmão, pâncreas, pele, ossos e córneas”.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



