Setembro Amarelo: veja sinais de sofrimento emocional em crianças e adolescentes
Psiquiatra explica como abordar o assunto com os filhos e o que fazer ao notar os sinais

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é celebrado nesta quinta-feira (10), em meio à campanha Setembro Amarelo. A data é importante, especialmente, para abordar a saúde mental de crianças e adolescentes antes que o sofrimento se torne intenso.
“Nessa faixa etária, há uma dificuldade particular: nem sempre eles conseguem dizer o que estão sentindo. Muitas vezes, não dizem; mostram”, destaca a psiquiatra da infância e adolescência Jaqueline Bifano.
Segundo a especialista, nas crianças, os sinais de ansiedade e tristeza podem se manifestar no corpo e no comportamento. “É a dor de barriga antes da escola, a dificuldade para dormir, o medo de se afastar dos pais, o choro mais frequente, a irritação, a recusa escolar ou a perda de interesse por uma brincadeira que antes era esperada com entusiasmo”, destaca.
Já na adolescência, os principais sinais de depressão incluem irritação, isolamento e indiferença. “O adolescente que conversava começa a responder apenas o necessário. Para de encontrar os amigos, abandona atividades de que gostava, dorme demais ou quase não dorme. As notas caem. O apetite muda. Parece que aquele jovem, aos poucos, vai se afastando da própria vida”.
O que fazer ao notar os sintomas
A médica psiquiatra destaca que é importante o que mudou na criança ou no adolescente. Alterações no sono, no rendimento escolar, no apetite e no interesse por atividades cotidianas são sinais de alerta.
“Com a ansiedade, um bom parâmetro é observar o quanto o medo começa a limitar a vida. Ter ansiedade antes de uma prova é esperado. Outra coisa é deixar de ir à escola, evitar amigos, não conseguir dormir sozinho ou precisar de garantias o tempo inteiro de que nada ruim vai acontecer. Quando a família inteira começa a mudar sua rotina para evitar tudo aquilo que deixa a criança ansiosa, esse medo já está ocupando espaço demais", destaca a especialista.
O segundo passo é focado, principalmente, no diálogo com os pais. “Em vez de começar com ‘O que você tem?’, é melhor falar sobre aquilo que foi observado: ‘Percebi que você está mais quieto, não quer mais encontrar seus amigos e parece estar dormindo mal. Fiquei preocupado. Quer me contar o que está acontecendo?’. E, depois, é preciso ouvir”, orienta a médica.
Por outro lado, ela recomenda evitar frases que invalidam os sentimentos dos filhos, como: "você tem tudo", "isso é coisa da sua cabeça", "na sua idade eu tinha problemas de verdade" ou "você precisa reagir".
“Também não é preciso esperar a situação ficar grave para procurar ajuda. Mudanças persistentes ou muito intensas, isolamento acentuado, abandono das atividades, prejuízo importante na escola, crises frequentes, automutilação, uso de álcool ou outras drogas e falas recorrentes de desesperança merecem avaliação profissional”, diz Jaqueline Bifano.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



