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Botox mal aplicado: especialista faz alerta após caso de jornalista Felipe Pereira

Biomédico Thiago Martins esclarece como a aplicação de botox pode provocar ptose palpebral e o que fazer diante da complicação

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Apresentador Felipe Pereira
Apresentador Felipe Pereira • Reprodução/Instagram

O relato do jornalista Felipe Pereira, apresentador do Conecta Piauí, chamou a atenção nas redes sociais nesta semana. Durante o programa Conectando, exibido nessa segunda-feira (20), ele contou que desenvolveu uma complicação após realizar uma aplicação de toxina botulínica (botox). Segundo o jornalista, o procedimento atingiu o músculo de Müller, localizado na pálpebra superior, fazendo com que seu olho fosse se fechando progressivamente.

"Imagina acordar e estar desse jeito, com o olho fechado. Infelizmente, foi o que aconteceu comigo depois de um procedimento errado. Os dias que se sucederam foram o olho fechando e eu tinha uma viagem programada. Eu viajei. No meio da viagem, o olho efetivamente fechou e vieram as dificuldades. Para enxergar esse campo de visão aqui, eu não consigo ver direito", desabafou.

Apesar de assustar, esse tipo de intercorrência é considerado incomum e, na maioria das vezes, temporário. Segundo o biomédico mineiro Thiago Martins, mestre em Medicina Estética e professor universitário, a aplicação da toxina botulínica é um procedimento bastante seguro quando realizada por um profissional qualificado.

"No entanto, quando o procedimento é executado de forma inadequada, seja por erro na escolha do ponto de aplicação, da profundidade, da dose ou da diluição do produto, podem ocorrer complicações funcionais e estéticas", explica.

Segundo Martins, entre as possíveis intercorrências estão assimetrias faciais, dificuldade para movimentar determinadas regiões do rosto, queda das sobrancelhas, alterações no sorriso e a chamada ptose palpebral, caracterizada pela queda da pálpebra superior.

"Embora essas complicações raramente representem risco grave à saúde, elas podem causar importante impacto funcional, dificultando a visão, além de gerar desconforto psicológico e prejuízo na qualidade de vida do paciente, até que o profissional consiga amenizar o efeito", conta.

O que é o músculo de Müller?

De acordo com Thiago Martins, o músculo de Müller é uma estrutura localizada na pálpebra superior que auxilia na manutenção da abertura dos olhos. Apesar de sua atuação ser menor que a do músculo levantador da pálpebra, ele contribui para manter a pálpebra elevada entre 1 e 2 milímetros — diferença que pode interferir no campo de visão quando há comprometimento.

Por isso, a região dos olhos exige atenção redobrada durante a aplicação da toxina botulínica. "Pequenas variações no local da aplicação ou a difusão do produto para músculos vizinhos podem afetar o equilíbrio da musculatura responsável pela abertura dos olhos. É uma das áreas que mais exige conhecimento anatômico e experiência técnica do profissional", afirma.

A queda da pálpebra é permanente?

Segundo o especialista, a resposta é, quase sempre, não. Na maioria dos casos, a ptose palpebral provocada pela toxina botulínica desaparece conforme o efeito do medicamento diminui, processo que pode levar algumas semanas ou meses.

A recuperação costuma ser completa e sem sequelas permanentes. Martins ressalta, porém, que o paciente não precisa apenas esperar o efeito da toxina passar. "Hoje existem protocolos específicos para acelerar a recuperação e reduzir o impacto funcional e estético", explica.

Entre as opções estão colírios que estimulam temporariamente o músculo de Müller, sessões de radiofrequência e outras condutas direcionadas, sempre sob acompanhamento profissional. "Quanto mais precocemente o paciente é avaliado, maiores são as possibilidades de reduzir o desconforto e acelerar sua recuperação", acrescenta.

Como reduzir o risco de complicações?

Para evitar intercorrências, o biomédico orienta que o principal critério na escolha do profissional seja a qualificação. O paciente deve verificar se o procedimento será realizado por um profissional legalmente habilitado, com formação adequada, conhecimento em anatomia facial e treinamento específico para aplicações de toxina botulínica.

Também é importante confirmar se o produto possui registro sanitário, se o procedimento será realizado em ambiente apropriado e se haverá uma avaliação individualizada antes da aplicação.

"A toxina botulínica não deve ser encarada como um procedimento simples apenas por ser amplamente difundido. Trata-se de um tratamento que exige conhecimento técnico para oferecer resultados naturais e minimizar o risco de complicações", conclui o especialista.

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André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.

 

 

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