Celulite não é só gordura: dermatologista explica o que causa os 'furinhos'
Calça apertada, refrigerante e sal não são os grandes vilões, esclarece médica

A celulite é frequentemente associada a alimentos, roupas apertadas e falta de exercício, mas a formação dos famosos “furinhos” é mais complexa. Segundo Marina Sathler, médica dermatologista e especialista em tratamentos para celulite e flacidez, genética, hormônios, gordura e qualidade da pele estão entre os fatores envolvidos.
“A celulite não aparece por causa de uma calça ou de um alimento específico. Existe uma estrutura por trás daquele furinho que a gente vê na pele”, explica. Segundo ela, fibras que ligam a pele aos tecidos mais profundos podem puxar a superfície para baixo, enquanto a gordura exerce pressão no sentido contrário.
A roupa apertada, portanto, não é considerada uma causa da celulite. “Não há evidência consistente de que uma roupa justa seja capaz de causar celulite. Se estiver muito apertada, claro, pode incomodar, marcar a pele e provocar uma compressão temporária”, afirma Marina.
O mesmo vale para refrigerante e sal. “Uma alimentação com muito açúcar, refrigerantes e ultraprocessados, quando vira rotina, pode favorecer ganho de gordura corporal e piora da saúde metabólica. Já o excesso de sódio pode aumentar a retenção de líquido em algumas pessoas e deixar as irregularidades da pele mais aparentes”, explica. Isso não significa, porém, que consumir esses alimentos ocasionalmente provoque celulite.
A dermatologista destaca ainda que mulheres magras e fisicamente ativas também podem apresentar o quadro. “A genética pesa bastante. Os hormônios também. A própria anatomia feminina favorece o aparecimento da celulite e algumas mulheres têm uma predisposição muito maior do que outras”, afirma. Em alguns casos, o lipedema também pode estar associado e exige uma avaliação diferente.
A flacidez é outro fator que pode tornar as irregularidades mais visíveis. “À medida que perdemos colágeno, a pele perde sustentação. Isso acontece naturalmente com o passar dos anos, mas também pode ficar mais evidente depois de grandes perdas de peso”, explica. Por isso, a avaliação não deve considerar apenas a quantidade de gordura.
Exercício físico e alimentação equilibrada ajudam na composição corporal e na saúde, mas não conseguem eliminar todos os componentes da celulite. “Existe uma coisa que academia nenhuma consegue fazer: romper uma fibra que está presa embaixo da pele e puxando aquele ponto para baixo”, diz Marina.
Quando essas fibras estão envolvidas, técnicas minimamente invasivas podem ser utilizadas para realizar o descolamento das estruturas que tracionam a pele. “Em muitos casos, associo a bioestimulação de colágeno porque não adianta olhar apenas para o furinho e esquecer a pele ao redor. Se existe flacidez, ela também precisa entrar no tratamento”, afirma.
Apesar das possibilidades de tratamento, a dermatologista reforça que a celulite é uma característica comum e não representa falta de cuidado com o corpo. “Celulite é normal. Ter celulite não significa que uma mulher seja sedentária, que se alimente mal ou que não cuide do próprio corpo”, afirma.
Para quem deseja tratar o quadro, porém, a decisão também não precisa vir acompanhada de culpa. “Sem culpa pela celulite. E também sem culpa por querer tratá-la”, conclui Marina.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



