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Aréola em 3D: técnica usa luz, sombra e pigmentos para recriar mamilo

Biomédico explica como a técnica é aplicada e o resultado obtido

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Imagem Ilustrativa | Freepik

Uma superfície praticamente plana pode ganhar a aparência de um mamilo, com profundidade, projeção e variações de cor. O efeito é obtido por meio de técnicas de luz, sombra e pigmentação usadas na reconstrução visual da aréola após cirurgias de mama.

“Nosso cérebro interpreta áreas mais escuras como profundidade e áreas mais claras como pontos que recebem luz. Quando esses tons são colocados nos lugares certos, uma superfície praticamente plana começa a parecer elevada”, explica o biomédico Thiago Martins, mestre em Medicina Estética.

A técnica, conhecida como desenho realístico da aréola, utiliza micropigmentação para recriar a aparência do mamilo e da aréola. Essa medida é voltada especialmente para mulheres que passaram por cirurgias em que essas estruturas foram retiradas ou sofreram alterações, como pode ocorrer durante o tratamento do câncer de mama.

“Uma sombra junto à base pode sugerir a projeção do mamilo. Um ponto de luz na região central reforça essa impressão. Pequenas mudanças de tonalidade quebram a uniformidade e fazem o desenho se aproximar do que encontramos em uma aréola real”, afirma Martins.

O resultado também depende da reprodução das características naturais da aréola. “Aréolas reais não são perfeitamente simétricas nem têm uma única cor. Há variações, bordas menos definidas, áreas mais pigmentadas e outras mais claras. É justamente nessa imperfeição que mora boa parte da naturalidade”, explica.

A escolha dos pigmentos precisa considerar a pele e as características da mama reconstruída. “É preciso olhar a pele. Observar o subtom, a cicatriz, a mama reconstruída e, quando existe uma aréola preservada do outro lado, perceber suas particularidades”, afirma o especialista. Em alguns casos, são utilizados diferentes pigmentos e intensidades para evitar uma aparência artificial.

O processo também exige atenção, pois a pele pode ter passado por cirurgia, reconstrução ou radioterapia. “Tudo isso interfere na maneira como recebe e retém o pigmento. Por esse motivo, o resultado visto logo após a sessão não é o resultado final”, explica Martins. A cor tende a ficar inicialmente mais intensa e mudar durante a cicatrização.

Apesar do efeito de profundidade, a técnica não cria necessariamente um mamilo em termos físicos projetado. “O desenho realístico da aréola cria a impressão de relevo, não necessariamente o relevo anatômico. Quando existe indicação para reconstruir fisicamente a projeção do mamilo, estamos falando de outra abordagem”, esclarece o especialista.

Para além da estética, o procedimento pode representar uma etapa importante após o tratamento de uma doença. “Recriar uma aréola não apaga o que aconteceu. Mas pode devolver à mama uma imagem que a paciente reconhece novamente como sua”, afirma Martins.

“É um trabalho de poucos centímetros, feito com pigmento e precisão. Para algumas mulheres, porém, esses poucos centímetros encerram uma etapa muito maior”, conclui.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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