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Vírus do Nilo Ocidental pode causar epidemia no Brasil? Infectologista responde

São Paulo registrou dois casos da doença neste ano e Itália atingiu 41 mortes causadas pelo vírus

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Mosquito 'Culex quinquefasciatus' (a popular muriçoca ou pernilongo doméstico)
Doença é transmitida pelo pernilongo • Genilton J. Vieira / Fiocruz

A febre do Nilo Ocidental é uma doença transmitida, principalmente, por mosquitos do gênero Culex, conhecidos como pernilongos. Segundo o Ministério da Saúde, um a cada 150 pacientes desenvolve forma neurológica severa, como meningite, paralisia flácida aguda ou encefalite, que é o quadro mais comum entre as manifestações neurológicas.

Neste ano, o estado de São Paulo confirmou dois casos da doença. As pacientes são uma mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, e uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto.

Na Europa, a Itália atingiu 41 mortes causadas pelo vírus do Nilo Ocidental e já contabiliza ao todo 594 casos da infecção, segundo o último balanço do Instituto Nacional de Saúde italiano (ISS). Cinco desses registros foram classificados como importados, relacionados a pessoas que estiveram nas Maldivas, na França, Bélgica, na Grécia e nos Países Baixos.

Vírus do Nilo pode virar epidemia no Brasil?

O ciclo de transmissão do vírus do Nilo Ocidental ocorre principalmente entre aves e mosquitos. O ser humano participa desse processo de forma acidental, quando é picado por um mosquito infectado.

“O vírus já circula no Brasil, e casos humanos já foram registrados. Isso significa que podemos ter novos casos e até surtos, mas falar em epidemia, neste momento, seria precipitado”, esclarece o infectologista Leandro Curi.

A explicação está relacionada ao ciclo de transmissão da doença: "Diferentemente de vírus respiratórios, por exemplo, o vírus do Nilo não é transmitido de uma pessoa para outra pelo contato cotidiano. O ser humano é considerado um hospedeiro acidental e, em geral, não apresenta quantidade de vírus no sangue suficiente para infectar novos mosquitos e sustentar uma cadeia de transmissão".

Apesar de não estarmos caminhando para uma epidemia, a circulação do vírus merece vigilância, segundo o especialista. “O cenário mais provável é a ocorrência de casos isolados ou surtos em determinadas regiões, dependendo da circulação do vírus entre aves e mosquitos. O mais importante é manter a vigilância epidemiológica e reconhecer rapidamente casos suspeitos”.

Sintomas e prevenção

A febre do Nilo Ocidental, na maioria dos casos, não causa sintomas aparentes. Em pacientes sintomáticos, os sinais incluem “febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço, náuseas e manchas na pele”, lista o médico. Além disso, uma pequena parcela pode evoluir para formas neurológicas graves, como meningite e encefalite.

Quanto à prevenção, Leandro Curi destaca que não há vacina para uso humano, nem tratamento antiviral específico. “Por isso, a prevenção passa, principalmente, pela proteção contra picadas de mosquitos, com uso de repelente, telas em portas e janelas e controle de locais que favoreçam a proliferação dos vetores”, orienta.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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