Doppler das carótidas pode identificar gordura nas artérias antes de sintomas
Pacientes com gordura nas artérias tem até três vezes mais chance de sofrer infarto e AVC

Um exame simples e indolor, com duração de cerca de 15 minutos, pode ajudar a identificar a aterosclerose - acúmulo de gordura nas paredes das artérias - antes do aparecimento de sintomas. Pacientes com esse quadro apresentam alto risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
O Doppler das carótidas usa ultrassom para observar as artérias do pescoço. O exame pode revelar se há placas de gordura acumuladas nas paredes desses vasos. O exame foi tema do estudo React, que avaliou 18 mil pessoas, com idades entre 18 e 70 anos, com aterosclerose.
Segundo o cardiologista Alan Max, a identificação de uma placa muda a avaliação do risco cardiovascular. “Uma vez que você detectou a placa é detectada, o paciente passa a ser considerado de muito alto risco. Ele tem até três vezes mais chance de sofrer um infarto ou um AVC”, explica.
O problema é que a aterosclerose costuma ser silenciosa. “O paciente não sente absolutamente nada. “E, se não fizer nada, a primeira manifestação pode ser um infarto ou um AVC”, alerta.
Quando uma placa é encontrada, o tratamento precisa ser mais agressivo para reduzir o risco. “Mesmo que o colesterol esteja normal, se o paciente tem placa, você tem que dar remédio para colesterol”, diz Alan Max. Além das estatinas, o controle da pressão alta, diabetes, peso, tabagismo e sedentarismo também fazem parte da prevenção.
O especialista também chama a atenção para um equívoco comum: a placa encontrada na carótida não significa que o problema esteja restrito ao pescoço. Ela pode ser um marcador de aterosclerose também nas artérias do coração e do cérebro. “O stent não reduz a mortalidade, não reduz o infarto futuro. Ele serve para aliviar o sintoma da obstrução grave”, explica.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



