Estresse pode aumentar dores crônicas e provocar dor sem lesão aparente

Especialista explica como a sobrecarga emocional afeta o sistema nervoso e se manifesta no corpo

Estresse pode intensificar dores crônicas e provocar dor sem lesão aparente

O estresse emocional não afeta apenas a saúde mental. Segundo a médica anestesiologista e especialista em dor crônica, referência no tratamento da dor, Ana Flávia Vieira Leite, a sobrecarga emocional pode desencadear ou intensificar dores físicas por meio de alterações no funcionamento do sistema nervoso.

Quando o corpo permanece por longos períodos em estado de alerta, há liberação contínua de hormônios como cortisol e adrenalina. Esse processo aumenta a tensão muscular, interfere na circulação sanguínea e deixa o sistema nervoso mais sensível. Com o tempo, o cérebro pode passar a interpretar estímulos comuns como dor, fenômeno conhecido como sensibilização central.

Dores associadas ao estresse

As dores mais associadas ao estresse são dor de cabeça do tipo tensional, dores na região cervical e lombar, nos ombros e dores musculares difusas. Também podem surgir desconfortos na mandíbula, dores abdominais funcionais e agravamento de quadros como enxaqueca e fibromialgia. Essas manifestações costumam aparecer ou piorar em períodos de maior pressão emocional.

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De acordo com a especialista, o estresse é um dos principais fatores que agravam a dor crônica e também pode provocar dor mesmo sem uma causa estrutural identificável. Isso acontece porque o estresse reduz a capacidade natural do organismo de modular a dor, tornando os estímulos dolorosos mais intensos e frequentes.

“A dor pode surgir como uma forma de o corpo expressar um sofrimento emocional que não está sendo elaborado”, explica Ana Flávia à Itatiaia. Em pessoas que já convivem com dor crônica, esse desequilíbrio tende a tornar as crises mais frequentes.

A intensidade da dor varia de pessoa para pessoa. Fatores genéticos, emocionais e psicológicos influenciam essa percepção. Pessoas mais ansiosas, perfeccionistas ou submetidas a pressão constante costumam manter o sistema nervoso em estado de hiperatividade, o que aumenta a sensibilidade à dor.

Sinais e sintomas importantes

Alguns sinais ajudam a identificar quando a dor pode estar relacionada ao estresse. Entre eles estão dores que pioram em momentos de tensão, melhoram durante o descanso, não apresentam alterações relevantes em exames e variam de intensidade ao longo do dia. Sintomas como cansaço excessivo, irritabilidade, alterações no sono e dificuldade de concentração também costumam estar associados.

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O alívio desse tipo de dor vai além do uso de medicamentos. Segundo a especialista, mudanças na rotina são fundamentais, como melhorar a qualidade do sono, manter atividade física regular e incluir pausas para descanso mental. Estratégias de manejo do estresse, como psicoterapia, exercícios de respiração, mindfulness e práticas de relaxamento, ajudam a regular o sistema nervoso.

Cuidar da saúde mental, reforça a especialista, não significa que a dor não seja real, mas reconhecer que corpo e mente estão diretamente conectados e que esse equilíbrio é essencial para o controle eficaz da dor.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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