Cada dia mais populares, as ‘canetas emagrecedoras’ se tornaram o mais novo fenômeno estético pelo mundo, incluindo o Brasil. Essas canetas, por sua vez, nada mais são que medicamentos indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade severa.
Apesar das orientações médicas iniciais, as drogas têm sido desenfreadamente e sem respaldo farmacêutico adotadas para o emagrecimento. Um artigo publicado recentemente pela revista Obesity buscou entender o que está por trás desse acontecimento.
Segundo os autores, médicos e pesquisadores, isso não é apenas um desvio clínico, mas um fenômeno também social. As drogas deixam de ser vistas apenas como terapêuticas para condições de risco de doenças e passam a ser encaradas como ferramentas de lifestyle para otimização corporal e social.
O estudo destaca também algumas lacunas em relação ao conhecimento pleno do funcionamento dos remédios fora da indicação inicial. A pesquisa destaca que ainda faltam evidências sobre a segurança e eficácia das canetas em pessoas sem obesidade clínica, especialmente a longo prazo.
Além disso, o uso fora de indicação pode mascarar fatores de saúde essenciais no processo saudável de emagrecimento, como alimentação equilibrada, atividade física e suporte psicológico.
Os autores argumentam que o uso deliberado das canetas emagrecedoras não pode ser entendido apenas pela medicina, já que o acontecimento reflete normas e padrões sociais que valorizam a magreza como símbolo de beleza. Usar medicamentos para emagrecer, mesmo sem necessidade clínica, levanta o debate sobre estigmas de peso.
Como as canetas funcionam?
As canetas são remédios baseados em agonistas do hormônio GLP-1, produzido pelo intestino delgado. Ele é responsável por estimular a liberação de insulina, a sensação de saciedade e a diminuição da velocidade da digestão. Os remédios então imitam a ação de moléculas naturais e podem diminuir o apetite de quem os aplica.
Uso no Brasil
Diante a situação, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou resoluções proibindo a fabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e uso de alguns medicamentos agonistas de GLP-1. No Brasil, o uso desses fármacos está sujeito a prescrição médica, com retenção de receita.
Outra situação que preocupa autoridades brasileiras são os casos de falsificação e adulteração dos produtos. Em 2024, a OMS emitiu um alerta sobre lotes falsificados de medicamentos como semglutida, detectados em vários países, incluindo o Brasil. O uso de versões clandestinas podem trazer ainda mais riscos à saúde.
Em fevereiro de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) emitiram uma nota conjunta alertando sobre esses riscos.