Chupeta pode entortar os dentes? Dentista explica quando o hábito vira um problema
Especialista em odontopediatria aponta que hábito pode causar mordida aberta anterior e cruzada, além de arcada superior mais estreita

O uso de chupeta pode contribuir para alterações na mordida e no desenvolvimento da boca, mas o risco depende, principalmente, da frequência, da duração e da intensidade do hábito. É o que explica a cirurgiã-dentista Karla Magalhães Alves, mestre em Odontopediatria.
"O problema não é simplesmente a existência da chupeta, da mamadeira ou do hábito de chupar o dedo. O que pesa, de verdade, é a repetição. É uma força pequena, mas exercida todos os dias, muitas vezes durante horas, justamente em uma fase em que a boca e a face estão crescendo", afirma.
Segundo a especialista, a sucção é natural nos primeiros meses de vida e não deve ser motivo de culpa para os pais. O problema surge quando o hábito, que inicialmente serve para alimentar ou acalmar o bebê, se prolonga excessivamente.
“Uma chupeta usada por alguns minutos antes de dormir não produz o mesmo estímulo de uma chupeta que acompanha a criança no carro, vendo televisão, brincando, dormindo e caminhando pela casa”, explica. Com o dedo, a intensidade da sucção e o tempo de permanência na boca também influenciam.
Entre as alterações que podem surgir estão a mordida aberta anterior, quando os dentes da frente não se encostam, além de arcada superior mais estreita, mordida cruzada posterior e dentes anteriores mais projetados.
"Não estamos falando apenas de 'dentes tortos'. A língua pode começar a ocupar o espaço que ficou aberto. A forma de engolir pode mudar. Os lábios podem ter dificuldade para permanecer fechados", alerta Karla.
A especialista recomenda iniciar a orientação para a retirada de hábitos de sucção não nutritiva antes dos três anos, idade apontada pela odontopediatria como limite para a interrupção desses hábitos. “Quanto mais prolongado e frequente o hábito, maior tende a ser a repercussão”, afirma.
Segundo a dentista, a retirada deve considerar a realidade de cada criança, principalmente quando envolve o hábito de chupar o dedo. “A criança precisa participar da mudança, não se sentir castigada por ela.” Já no caso da chupeta, uma alternativa é restringir o uso gradualmente, começando pelo período do sono.
Karla também alerta para a chamada chupeta ortodôntica: “Nenhuma chupeta ganha passe livre só porque está escrito ‘ortodôntica’ na embalagem. O formato pode mudar a maneira como ela se acomoda na boca, mas não apaga o efeito de horas e horas de sucção”.
Além disso, sinais como dentes da frente que não se encostam, mordida desalinhada, língua entre os dentes, dificuldade para manter os lábios fechados ou respiração predominantemente bucal merecem avaliação. “A odontopediatria começa muito antes do problema. Muitas vezes, uma orientação simples feita cedo evita um tratamento muito mais complexo alguns anos depois”, conclui.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



