Uma hora de academia compensa oito horas sentado? Ortopedista responde
Especialista explica que, mesmo fazendo exercícios todos os dias, aqueles que trabalham por oito horas na mesma posição ainda são sedentários

Fazer academia todos os dias não impede que uma pessoa que passa tempo demais sentada trabalhando seja sedentária. Segundo o ortopedista Daniel Oliveira, uma hora de exercício não elimina os efeitos das demais horas do dia praticamente sem movimento.
“Imagine alguém que treina uma hora pela manhã, faz musculação, corre ou pratica algum esporte. Depois, senta para trabalhar e passa sete ou oito horas se movimentando muito pouco. Aquela hora de exercício fez bem e continua fazendo. O problema é imaginar que ela simplesmente apaga todo o restante do dia”, explica.
Para o especialista, o problema não está necessariamente em ficar sentado, mas em permanecer por longos períodos na mesma posição. “Nosso corpo tolera ficar sentado. O que geralmente não é uma boa estratégia é permanecer horas praticamente imóvel, repetindo sempre a mesma posição”, afirma.
Segundo ele, até uma estação de trabalho ergonomicamente adequada pode não evitar o desconforto quando há pouca variação de movimento. “Por isso, gosto de uma ideia simples: muitas vezes, a melhor postura é a próxima”, diz Oliveira. A recomendação é não buscar uma posição perfeita para manter durante todo o expediente, mas permitir que o corpo alterne posturas e se movimente ao longo do dia.
O médico também alerta que a dor nas costas não significa, necessariamente, lesão. “Ficar sentado não significa que a coluna esteja se desgastando a cada minuto. E sentir dor também não significa, automaticamente, que exista uma lesão ou dano estrutural”, afirma. Sono, estresse, condicionamento físico, histórico de dor e carga de trabalho também influenciam os sintomas.
Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a reduzir o tempo sedentário. “Levantar para buscar água, caminhar enquanto fala ao telefone, preferir a escada em algumas situações, alternar posições, fazer pequenos deslocamentos no trabalho ou caminhar alguns minutos depois do almoço”, exemplifica o especialista.
Na academia, o fortalecimento também deve envolver diferentes grupos musculares. “Abdômen, musculatura do tronco, glúteos, quadris e pernas participam conjuntamente dos movimentos e da distribuição de cargas. Mais do que proteger uma região isoladamente, o objetivo deve ser desenvolver força, mobilidade, condicionamento e capacidade física compatíveis com o que a vida exige de cada pessoa”, explica.
Para Oliveira, a melhor estratégia é combinar exercício físico com movimentação ao longo do dia. “A academia conta e conta muito. Mas o corpo não responde apenas à hora do treino. Ele responde ao conjunto do dia”. Dor persistente ou progressiva, especialmente quando acompanhada de perda de força, alterações sensoriais, dificuldade para caminhar ou mudanças no controle urinário ou intestinal, deve ser avaliada por um médico.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



