Canetas emagrecedoras: tratamento depende de indicação médica e acompanhamento

Especialistas alertam para riscos de pancreatite e perda muscular com uso irregular

Especialistas alertam para riscos de pancreatite e perda muscular com uso irregular

Uma agência reguladora do Reino Unido emitiu alerta sobre casos de pancreatite aguda associados a canetas emagrecedoras. No Brasil, dados da Agência Nacional de Segurança Sanitária (Anvisa) mostram mais de 200 casos suspeitos de pancreatite ligados a medicamentos usados para diabetes e obesidade. Especialistas reforçam a necessidade de prescrição e acompanhamento médico.

Marcio Corrêa Mancini, médico e chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que esses medicamentos estão no mercado há quase 20 anos e evoluíram em eficácia e comodidade.

Ele alerta que o uso irregular ou a compra de medicamentos de fontes não confiáveis, como remédios manipulados ou contrabandeados, aumenta os riscos de efeitos graves. “Os maiores problemas atualmente são justamente o uso sem indicação correta e sem acompanhamento médico” explica o especialista.

Brasil registra seis mortes suspeitas de pancreatite associada às canetas emagrecedoras

Indicações corretas

Inicialmente desenvolvidas para diabetes tipo 2, essas canetas também se mostraram eficazes no tratamento da obesidade.

Riscos e recomendações

O especialista reforça que o acompanhamento médico regular é essencial. A pancreatite, um efeito colateral grave, causa dor aguda na parte superior do abdômen, irradiando para as costas, e precisa ser diagnosticada rapidamente, normalmente por tomografia.

A pancreatite ocorre porque a perda de peso rápida pode levar à formação de cálculos biliares, que bloqueiam a bile e as enzimas do pâncreas, causando inflamação. “Qualquer perda de peso acelerada, seja por cirurgia, canetas ou dieta, pode gerar esse risco”, explica Mancini.

Outro cuidado importante é preservar a massa muscular durante o emagrecimento. Pacientes mais velhos devem ingerir pelo menos 1,2 gramas de proteína por quilo de peso e manter exercícios de resistência para musculação. “Se a perda de peso eliminar músculo em vez de gordura, o paciente terá fragilidade e prejuízo à saúde”, alerta o médico.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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