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Maior encontro sobre câncer do mundo apresenta novidades no tratamento; veja algumas

Congresso tem novidades no tratamento e prevenção de tumores como câncer de mama, de pulmão, de pele, mielomas, entre outros

O congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (conhecido pela sigla ASCO, em inglês), considerado o maior encontro sobre o câncer do mundo, apresentou novidades no tratamento de diferentes tumores, como pulmão, colo de útero, pele, entre outros. Na conferência, realizada entre os dias 30 de maio e 3 de junho em Chicago, nos Estados Unidos, foram apresentados diversos estudos na área.

As inovações incluem nova terapia-alvo, novas medicações que aumentaram a sobrevida livre de progressão e reduziram o risco de recidiva ou morte, além de novas descobertas sobre prevenção e cuidados paliativos. Veja alguns:

Nova terapia-alvo para câncer de pulmão em estágio 3

Um destaque da ASCO foi um novo estudo sobre a adoção do osimertinib, uma medicação que atua no receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), no tratamento de câncer de pulmão em estágio 3. Trata-se de uma terapia-alvo que mostrou resultados promissores para a sobrevida de pacientes com mutação no gene EGFR.

“Esses pacientes faziam habitualmente quimioterapia e radioterapia, mas agora temos no horizonte um estudo mostrando que para pacientes com mutação no gene EGFR, a terapia-alvo também melhora a eficácia do tratamento”, explica William Nassib William Jr., líder nacional da especialidade tumores torácicos da Oncoclínicas.

O estudo, chamado LAURA, é de fase 3 e envolveu 216 pacientes em 17 países, divididos aleatoriamente para receber osimertinib ou placebo. “O osimertinib demonstrou uma melhoria estatisticamente significativa e clinicamente relevante nas taxas de sobrevida livre de doença,” afirmou o autor principal da análise, Suresh S. Ramalingam, da Emory University School of Medicine, de Atlanta (EUA), destacando que o tratamento deve se tornar o novo padrão de cuidado para casos com mutação EGFR nesta fase.

“O benefício foi consistente em todos os subgrupos predefinidos, incluindo sexo, idade, histórico de tabagismo e estágio do câncer. Os resultados do LAURA redefinem o paradigma de tratamento, demonstrando que o osimertinib supera significativamente a imunoterapia para pacientes com mutação EGFR, estabelecendo um novo padrão de cuidado”, diz William Jr.

O câncer de pulmão, especialmente em estágio avançado, apresenta um desafio para a oncologia. Cerca de 90% dos casos em estágio 3 são considerados irressecáveis (não cirúrgicos). Anteriormente, a imunoterapia era a opção padrão para esses pacientes, mas agora, eles podem se beneficiar de um tratamento oral específico, personalizado e com um perfil de toxicidade mais favorável.

Pesquisa inédita traça perfil das variantes brasileiras do câncer de mama hereditário

O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Dados mundiais mostram que de 5 a 10% dos casos desse tipo de tumor têm causa genética herdada, sendo metade deles relacionado aos genes BRCA1 e BRCA2.

Um novo estudo, apresentado na ASCO, avaliou a prevalência de variantes patogênicas e de significado incerto em gentes de alta e moderada penetrância. O trabalho foi realizado com pacientes com câncer de mama que realizaram painel genético no laboratório Oncoclínicas Medicina de Precisão. Foram analisados, no total, 2.208 pacientes, sendo 90% do gênero feminino, com uma idade mediana de 47 anos.

“Essa é o maior corte de dados brasileiros nesse cenário. A prevalência de variantes patogênicas (mutações) em genes de alta e moderada penetrância para câncer de mama foi de 10%, sendo 6% em BRCA1 e 2 e 40% em genes adicionais”, destaca Leandro Jonata, oncologista da Oncoclínicas e principal autor do estudo.

Os achados indicam ainda que a taxa de mutações foi maior em pacientes abaixo dos 50 anos (12%) e com câncer de mama triplo negativo (14%). Segundo os pesquisadores, os principais genes com variantes patogênicas foram BRCA2, BRCA1, TP53 e PALB2. Já a variante R337H correspondeu a 80% das variantes no gene TP53. A prevalência de variantes de significado incerto foi de 20%, sendo ATM, NF1, BRCA2 e CHEK2 os principais genes associados, segundo Jonata.

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Vacina contra o HPV é eficaz para outros cânceres além de colo de útero e pênis

Um estudo mostrou que a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), uma das principais formas de prevenção contra o câncer de colo de útero e de pênis, também é eficaz na proteção contra outros tipos de câncer.

De acordo com Jefferson DeKlow, autor principal do estudo pela Universidade Thomas Jefferson, a pesquisa “soma um conjunto crescente de evidências que demonstram a diminuição das taxas de câncer relacionadas ao HPV entre pessoas que receberam o imunizante”. Novos dados mostram que, principalmente nos homens, o imunizante é eficaz na prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Além disso, pode atuar em casos de câncer anal, de vagina e de vulva.

O estudo contou com a análise de 5.458.987 pacientes, dos quais 949.249 deles foram vacinados contra o HPV. Os achados no estudo mostraram que 760.540 homens vacinados contra o HPV tiveram uma menor probabilidade de desenvolver tumores relacionados ao vírus, principalmente de cabeça e pescoço. Já as mulheres imunizadas, representando 945.999, apresentaram uma menor chance de desenvolver câncer cervical e tumores relacionados ao HPV no geral.

“No Brasil, a tetravalente contra o HPV, que está disponível gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e para adultos imunossuprimidos até 45 anos, protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus, os principais causadores do câncer do colo do útero. É preocupante para todos ver esse tipo de tumor avançando quando sabemos que ele é altamente prevenível”, comenta Marcela Bonalumi, oncologista da Oncoclínicas&Co.

Imunoterapia antes de cirurgia de melanoma avançado reduz o risco de recidiva

Um estudo, realizado por pesquisadores de diversas instituições da Austrália e dos Países Baixos, demonstrou que o uso de dois ciclos de imunoterapia combinada, antes da cirurgia, pode aumentar a chance de cura de pacientes com melanoma avançado, diminuindo o risco de ressurgimento do tumor.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores fizeram um estudo randomizado com 423 pacientes, divididos em dois grupos: o grupo controle recebeu o tratamento convencional (cirurgia primeiro + nivolumabe por 12 meses) e a outra metade recebeu o tratamento neoadjuvante, com dois ciclos de imunoterapia combinada (nivolumabe e ipilimumabe por seis semanas) e depois a cirurgia.

Os resultados mostraram que 60% dos pacientes do grupo que recebeu dois ciclos de imunoterapia pré-operatória tiveram uma resposta patológica completa ou maior, ou seja, mais de 90% do tumor foi eliminado – o que é considerado praticamente uma cura pelos especialistas. Os outros 40%, que não alcançaram essa resposta, puderam continuar com a imunoterapia no pós-operatório para complementar.

O estudo também demonstrou que o risco de recidiva é 70% menor entre os que receberam a imunoterapia pré-operatória, em comparação com os que fizeram o tratamento-padrão.

Telessaúde é eficaz nos cuidados paliativos em pacientes com câncer de pulmão

Um estudo mostrou que consultas remotas de cuidados paliativos são tão eficazes quanto as presenciais na manutenção da qualidade de vida de pacientes com câncer de pulmão avançado. O trabalho envolveu 1.250 pacientes recentemente diagnosticados com a doença, que tiveram sessões de cuidados paliativos a cada quatro semanas. Uma parte foi designada aleatoriamente para consultas em vídeo e outra para as consultas presenciais.

As sessões abordaram sintomas físicos e psicológicos, enfrentamento, compreensão da doença, preferências de cuidados e decisões de tratamento. Segundo o estudo, após 24 semanas, as pontuações de qualidade de vida dos pacientes foram estatisticamente equivalentes entre os grupos de telessaúde e presencial (99,67 e 97,67, respectivamente, em uma escala de 0 a 136 pontos).

“A telessaúde tem o potencial de reduzir substancialmente a carga sobre os pacientes, os médicos e os recursos de saúde, ao mesmo tempo que mantém a qualidade dos cuidados. Nossas descobertas destacam a necessidade crítica dos sistemas de saúde e dos legisladores adotarem a telessaúde de forma mais ampla em padrões de cuidados paliativos baseados em evidências”, diz o autor principal do estudo, Joseph Greer, codiretor do Programa de Pesquisa e Educação sobre Resultados do Câncer no Massachusetts General Hospital, em comunicado à imprensa.


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