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Câncer de pele: estudo mostra avanço no tratamento da doença do tipo melanoma com vacina e imunoterapia

Um novo estudo foi divulgado no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o número de casos de câncer de pele melanoma registrados no Brasil é de 8.980, por ano. Apesar de o câncer de pele ser o mais frequente no Brasil e corresponde a 30% dos tumores malignos registrados no país, o melanoma representa apenas 3% desses casos. O tipo melanoma é o tipo mais grave, devido à alta possibilidade de provocar metástase.

Um novo estudo foi divulgado no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). A pesquisa de vacina contra o melanoma mostrou resultados satisfatórios. O imunizante, que utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), a mesma usada contra a COVID-19, tem o potencial de reduzir pela metade o risco de morte ou recidiva em pacientes com esse tipo de câncer de pele agressivo. O estudo combinou a vacina de mRNA-4157 (V940), da Moderna, com o Keytruda, da Merck (pembrolizumabe), uma imunoterapia já bem estabelecida. O tratamento foi administrado em pacientes após cirurgia para remoção de melanoma em estágio três ou quatro.

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Após um período de três anos, os resultados revelaram que 75% dos pacientes que receberam tanto a vacina quanto o pembrolizumabe permaneceram livres do câncer, melhora significativa em comparação com a taxa de 56% de pacientes livres do câncer, mas que receberam apenas pembrolizumabe. De acordo com Bernardo Garicochea, oncologista e hematologista da Oncoclínicas, essa diferença marcante destaca o potencial da vacina para melhorar os resultados a longo prazo para os pacientes com melanoma.

“Ao contrário das vacinas tradicionais, que previnem doenças, as vacinas contra o câncer são projetadas para tratar a doença já existente. O ensaio utilizou a vacina mRNA-4157 da Moderna, adaptada às células cancerosas específicas de cada paciente, aprimorando assim a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e atacar o ‘inimigo’. O pembrolizumabe, um inibidor de checkpoint, apoia esse processo ativando as células T, nossos defensores na linha de frente do sistema imunológico”, complementa o médico.

Especialistas da área de oncologia que participaram da ASCO, classificaram como extremamente importante a nova abordagem de vacina somada à imunoterapia. Mas, ainda são necessários estudos maiores e mais longos para confirmar a efetividade apontada pelos resultados iniciais.

“Essa é mais uma mostra de como a oncologia de precisão, suportada pelo avanço no conhecimento genômico do DNA, pavimenta caminhos para curarmos cada vez mais pacientes. Esse estudo contribuirá para a melhora contínua das taxas de sobrevivência dos pacientes com melanoma, tornando a doença significativamente menos letal e conferindo mais qualidade de vida a essas pessoas”, pontua Bernardo Garicochea.


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Jornalista formada pelo Uni-BH, em 2010. Começou no Departamento de Esportes. No Jornalismo passou pela produção, reportagem e hoje faz a coordenação de jornalismo da rádio Itatiaia.
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