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Anderson, do Molejo, com câncer inguinal: saiba o que é, sintomas e como funciona o tratamento

Cantor segue internado em um hospital do Rio de Janeiro; médico da Oncoclínicas fala sobre doença

O cantor Anderson Leonardo, do Molejo, permanece internado em um hospital particular no Rio de Janeiro. O artista, de 51 anos, relatou em maio do ano passado que o câncer na região inguinal havia voltado e que ele precisou recorrer a um novo tratamento. Flávio Mavignier Cárcano, médico especialista em câncer geniturinário da Oncoclínicas, em Belo Horizonte, explica o que é câncer inguinal, quais são os sintomas e tratamentos de um modo geral.

Sobre o caso de Anderson, o médico esclarece que são muitas as possibilidades, o que torna difícil destacar o que “esperar desse tratamento”. No entanto, ele explica do que se trata a doença.

“Fica na região da virilha, no encontro do final da barriga com o início da coxa. Essa é uma região onde, por debaixo da pele, há um canal onde passam estruturas importantes. Dentre elas, existem os linfonodos, que são estruturas que nós temos no corpo todo e que funcionam como filtros biológicos como parte do sistema imunológico”, inicia.

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“Então os linfonodos costumam inchar, aumentar de tamanho, quando existe uma inflamação, uma infecção naquela região em que ele drena, ou, no caso do câncer, eles podem aumentar de tamanho, mas principalmente por um câncer que surgiu numa região próxima dele, mas não necessariamente nele”, acrescenta.

O médico esclarece: “O câncer inguinal não é um termo que comumente a gente usa, já que em geral esses linfonodos na região inguinal eles aumentam de tamanho, quando eles estão comprometidos com metástases de cânceres que estão ali naquela região.”

“Então, por exemplo, no caso do homem, um câncer que surge primariamente no pênis pode gerar metástase para região inguinal. No caso da mulher, às vezes um câncer de vulva pode também gerar uma metástase na região inguinal. Outros tipos de cânceres, como os linfomas, ele surgem primariamente nos linfonodos, mas não necessariamente só numa região. Na região inguinal, eles podem estar comprometendo outros linfonodos de outras partes do corpo”, pontua.

Câncer raro, chance de cura, sintomas e tratamentos

O câncer na região inguinal é considerado raro?

“Se a gente tentar responder se é um tipo de câncer raro seria muito importante saber de fato que tipo de câncer que a gente está lidando. Se é um câncer de pênis, é relativamente raro. Se é na mulher um câncer de vulva, é um outro perfil que acomete. No caso do homem, o câncer de pênis, principalmente, homens em idade reprodutiva ou também homens mais velhos com condições de higiene mais precárias ou que tenham infecções pelo vírus HPV. Alguns vírus específicos também são fatores de risco, assim como tabagismo. Já o câncer de vulva na mulher é um câncer que acomete a população mais velha, às vezes com processos inflamatórios, outras lesões que surgem na vulva que podem originar um câncer”.

Tem chance de cura?

“A possibilidade de cura vai depender do tipo de câncer. Desses possíveis que a gente falou: câncer de pênis, câncer de vulva, câncer do tipo linfoma, que é um câncer hematológico. De origem de células hematológicas, os tratamentos são diferentes, o prognóstico é diferente, então a curabilidade também é completamente diferente, vai depender do tipo de câncer, do estadiamento da doença, ou seja, se é uma doença que está restrita aquela área, se é uma doença que já se espalhou, todos esses fatores vão influenciar na possibilidade de cura.”

Quais áreas do corpo a doença pode atingir?

“Como a gente está falando de um câncer ou uma metástase que está na região inguinal, ele tá acometendo aquela área ali. Agora depende de onde veio esse câncer. É um câncer de pênis, é um câncer de vulva, é um câncer do tipo linfoma e, aí sim, ele pode ter um padrão de espalhamento para o resto do corpo que vai depender de qual tipo de câncer que a gente está lidando. Então, após identificá-lo, qual é o tratamento. Também hoje nós tratamos através de protocolos que dependem de saber que tipo de câncer e onde ele se originou. Se a gente está falando de uma metástase na região inguinal, proveniente de um câncer de pênis, existem protocolos específicos de tratamento para o câncer de pênis. Se for um linfoma é outro protocolo completamente diferente.”

É possível identificar sintomas antes da realização de exames? Quais?

“O principal sintoma quando há um acometimento da região inguinal é o aumento do volume dessa região, você pode palpar uma modulação, muitas vezes uma modulação endurecida, que pode ter dor ou não. Em geral, ele pode estar aderindo aos tecidos em volta, então não é aquele carocinho que dança na ponta dos dedos, é um uma modulação que tá mais fixa.”

Como está Anderson Leonardo?

A assessoria do cantor informou que ele foi hospitalizado mais uma vez no dia 27 de fevereiro e publicou uma foto em que ele aparece sendo alimentado pela mãe no leito da unidade de saúde.

O boletim mais recente diz que ele permanece sem previsão de alta. “Encontra-se internado para dar continuidade ao tratamento de imunoterapia e medicação para dores”, diz o texto.

O médico oncologista explica como funciona o tratamento com imunoterapia. “Ela tem eficácia comprovada para vários tipos de cânceres, mas não para todos. A nova imunoterapia, que supõe-se que ele esteja fazendo, é um tratamento que faz com que as células do sistema imunológico identifiquem mais facilmente as células do câncer e ataque-as tentando exterminá-las”, esclarece.

“Então esse é um tratamento que realmente modificou os resultados em muitas doenças, mas falar da possibilidade de resposta a esse tratamento e até da capacidade de cura ou do prognóstico numa doença eventualmente incurável, depende de saber com que câncer a gente está lidando, qual o estágio da doença e se já foi tentado outros tratamentos anteriores, porque um protocolo que é inicial tem chances teoricamente maiores de resposta do que um protocolo que já está sendo usado como uma segunda ou terceira opção”, finaliza.

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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‘NaTelinha’ e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
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