O que você consome é “livre de” malefícios para a sua saúde?
Expressões como "livre de glúten", "sem lactose" e "sem conservantes" ganharam espaço nas embalagens, mas nem sempre indicam que um produto é mais saudável

Quem frequenta supermercados provavelmente já percebeu que expressões como "livre de glúten", "sem lactose", "sem conservantes" ou "livre de organismos geneticamente modificados (OGMs)" aparecem com cada vez mais frequência nas embalagens de alimentos.
Esse movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a buscar produtos mais alinhados a conceitos de saúde, sustentabilidade, bem-estar animal e alimentação consciente.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que essas informações precisam ser interpretadas corretamente. Nem todo alimento identificado como "livre de" é necessariamente mais nutritivo, assim como um produto convencional não deve ser considerado automaticamente prejudicial à saúde.
Um mercado em expansão
O segmento de alimentos com alegações como "free from" ("livre de", em tradução livre) continua crescendo em diversos países.
Relatórios internacionais de mercado apontam que consumidores estão cada vez mais atentos à composição dos alimentos, privilegiando produtos com listas de ingredientes mais curtas, menor presença de aditivos e informações mais transparentes nos rótulos.
Além das questões relacionadas à saúde, fatores como sustentabilidade, bem-estar animal e rastreabilidade da produção também influenciam as decisões de compra.
O que significa "livre de"?
A expressão pode indicar diferentes características do produto, dependendo da categoria. Entre os exemplos mais comuns estão:
- alimentos sem glúten, destinados principalmente a pessoas com doença celíaca ou outras condições relacionadas ao consumo dessa proteína;
- produtos sem lactose, voltados para indivíduos com intolerância à lactose;
- carnes produzidas sem o uso rotineiro de antibióticos durante a criação dos animais;
- alimentos sem corantes, conservantes ou aromatizantes artificiais;
- produtos formulados sem ingredientes geneticamente modificados, quando essa informação é certificada.
Cada uma dessas alegações atende a necessidades específicas e deve ser interpretada dentro do contexto de cada consumidor.
Ler o rótulo continua sendo fundamental
Especialistas ressaltam que a presença de um selo "livre de" não garante, por si só, que o alimento seja mais saudável. Um biscoito sem glúten, por exemplo, pode conter elevados teores de açúcar, gordura saturada ou sódio.
Da mesma forma, um alimento sem lactose pode apresentar quantidade significativa de açúcares adicionados. Por isso, a recomendação continua sendo observar a lista de ingredientes, a tabela nutricional e a composição geral do produto.
Consumo consciente
A indústria de alimentos tem investido em produtos que atendem às novas demandas dos consumidores, oferecendo opções para pessoas com restrições alimentares e para quem busca diversificar a alimentação.
No entanto, nutricionistas reforçam que a base de uma dieta equilibrada continua sendo o consumo predominante de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos, leguminosas e proteínas de qualidade.
Mais do que procurar produtos "livre de", especialistas recomendam avaliar o conjunto da alimentação e escolher alimentos que atendam às necessidades individuais, sempre considerando orientação profissional quando houver restrições ou condições de saúde específicas.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.


