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Moda digital muda a forma como mulheres experimentam, compram e usam roupas

Provadores virtuais, inteligência artificial e peças para avatares ampliam as possibilidades de personalização e criam novas formas de consumir moda

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Provadores virtuais permitem experimentar roupas digitalmente antes de decidir pela compra.
Provadores virtuais permitem experimentar roupas digitalmente antes de decidir pela compra. • Magnific

Provadores virtuais, ferramentas de inteligência artificial, avatares e roupas desenvolvidas exclusivamente para ambientes digitais estão mudando a maneira como consumidores descobrem tendências, experimentam peças e constroem sua identidade visual.

Para as mulheres, esse movimento abre espaço para testar combinações sem necessariamente comprar uma peça física, experimentar diferentes estilos nas redes sociais e até visualizar como determinada roupa pode ficar antes de finalizar uma compra.

A transformação, porém, não significa o fim do guarda-roupa tradicional. A tendência é que os universos físico e digital se aproximem cada vez mais.

O que é moda digital?

Moda digital é o conjunto de roupas, acessórios e experiências de estilo criados para ambientes virtuais. Uma peça pode existir exclusivamente em uma imagem, vídeo, avatar, jogo ou plataforma digital, sem ser produzida fisicamente.

Também fazem parte desse universo os provadores virtuais, que utilizam tecnologias como realidade aumentada e inteligência artificial para mostrar uma roupa no corpo do consumidor.

A diferença é importante. Uma pessoa pode comprar uma roupa digital para utilizar em um avatar ou fotografia, por exemplo, sem adquirir uma peça física. Em outra situação, pode usar um provador virtual para decidir se vale a pena comprar uma roupa que será entregue em casa.

Provador virtual ganha espaço nas compras

Entre as aplicações mais concretas da moda digital está a possibilidade de experimentar virtualmente uma peça antes da compra.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 na revista Applied Sciences analisou 69 estudos sobre tecnologias de provador virtual e identificou fatores como utilidade, experiência emocional, gratificação tecnológica e características do usuário entre os elementos que influenciam a adoção dessas ferramentas e o comportamento de compra.

A tecnologia também pode ajudar a diminuir uma das dificuldades das compras pela internet: a incerteza sobre caimento e aparência.

Em janeiro de 2026, uma pesquisa publicada no International Journal of Retail & Distribution Management avaliou o uso de provadores com realidade aumentada em diferentes cenários de compra. O estudo encontrou relação entre a experiência de visualização da peça, a confiança sobre o caimento e a intenção de compra, mostrando como essas ferramentas podem funcionar como apoio à decisão do consumidor.

Sustentabilidade é uma possibilidade, não uma garantia

Uma das promessas da moda digital está justamente na redução de determinadas etapas da produção física. Uma roupa criada apenas para uma fotografia ou avatar, por exemplo, não precisa utilizar tecido, embalagem ou transporte da mesma maneira que uma peça convencional.

Isso pode abrir possibilidades para reduzir desperdícios em determinados usos. Mas não significa que qualquer experiência digital seja automaticamente sustentável.

Um estudo publicado em 2025 no Journal of Retailing and Consumer Services analisou a relação entre moda digital, metaverso e sustentabilidade e apontou justamente essa complexidade. A pesquisa mostra que roupas virtuais podem apresentar vantagens ambientais, mas também considera os impactos associados às tecnologias utilizadas e aos próprios NFTs.

Por isso, a moda digital deve ser vista como uma ferramenta com potencial de transformação, e não como uma solução ambiental pronta.

NFTs perderam espaço, mas não desapareceram

Os NFTs, sigla para non-fungible tokens, ganharam enorme atenção no mercado de moda durante o boom dos ativos digitais. A tecnologia permite registrar a propriedade ou autenticidade de um ativo digital em uma blockchain.

Na moda, isso chegou a ser utilizado para coleções virtuais, itens para avatares e experiências exclusivas. Grandes marcas experimentaram o formato, especialmente em projetos ligados ao metaverso.

Hoje, entretanto, seria exagero apresentar os NFTs como o principal motor da moda digital. O setor avançou para aplicações mais práticas, como inteligência artificial, personalização, realidade aumentada e experiências de compra híbridas.

O guarda-roupa também pode ser virtual

Outra mudança está na maneira como as pessoas constroem sua identidade visual no ambiente online.

Roupas digitais podem ser utilizadas em fotografias, vídeos, redes sociais, jogos e avatares. Em vez de comprar uma peça para usar fisicamente várias vezes, o consumidor pode adquirir ou criar uma versão virtual para uma situação específica.

Plataformas especializadas já trabalham com esse conceito. A DRESSX, por exemplo, passou a combinar moda digital com inteligência artificial e ferramentas de experimentação virtual, aproximando o universo das roupas digitais da experiência de compra convencional.

No universo dos games, a moda também ganhou espaço como forma de expressão. Um estudo publicado em 2025 analisou a estratégia da Gucci no Roblox e mostrou como marcas de luxo estão utilizando ambientes virtuais para se aproximar de consumidores mais jovens e criar experiências de marca além das lojas físicas.

O que é moda phygital?

A expressão phygital, formada pela combinação de physical e digital, resume uma das principais tendências desse mercado.

Na prática, significa unir uma experiência digital a um produto ou experiência física. Uma consumidora pode, por exemplo, experimentar uma roupa virtualmente, comprar a peça física e depois utilizar recursos digitais relacionados àquele produto.

Também pode acontecer o contrário: uma peça criada para um avatar ou rede social servir como porta de entrada para conhecer uma coleção física.

Essa integração transforma a jornada de compra. A loja deixa de ser apenas o lugar onde a pessoa escolhe e paga por uma roupa e passa a fazer parte de uma experiência que pode começar no celular, continuar em uma plataforma digital e terminar diante de uma peça física.

Como experimentar a moda digital

Quem quer conhecer esse universo não precisa começar comprando NFTs.

Uma alternativa é experimentar ferramentas de provador virtual oferecidas por lojas e plataformas de moda. Também é possível conhecer aplicativos de styling com inteligência artificial, criar avatares ou testar roupas digitais para fotografias e conteúdos nas redes sociais.

A principal mudança está justamente na possibilidade de experimentar antes de decidir.

A moda digital amplia o espaço para criatividade, personalização e expressão individual. Ao mesmo tempo, coloca novos desafios para marcas e consumidores, principalmente em relação à privacidade, ao uso de dados, à autenticidade das imagens e ao impacto ambiental das tecnologias.

O guarda-roupa feminino, portanto, não está deixando de existir no mundo físico. Ele está ganhando uma extensão digital — e essa nova camada pode mudar tanto a maneira de experimentar tendências quanto a própria relação das consumidoras com a moda.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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