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Farinha branca faz mal? Entenda os riscos do excesso e como substituir

Presente em pães, massas, bolos e biscoitos, a farinha refinada pode perder espaço para versões integrais em uma alimentação mais rica em fibras e nutrientes

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Farinha branca está presente em pães, massas, bolos e diversos alimentos consumidos no dia a dia.
Farinha branca está presente em pães, massas, bolos e diversos alimentos consumidos no dia a dia. • FaustFoto

A farinha branca refinada está presente em uma grande variedade de alimentos consumidos no dia a dia. Pães, massas, bolos, biscoitos e diversos produtos industrializados podem levar farinha de trigo refinada na composição. 

Por isso, reduzir o consumo desse ingrediente pode ser uma estratégia para melhorar a qualidade da alimentação, principalmente quando ele aparece em excesso e associado a açúcar, gordura e outros ingredientes de produtos ultraprocessados.

A discussão ganhou força à medida que alimentação equilibrada e atividade física passaram a ocupar mais espaço na rotina de quem busca prevenir doenças. Quando o assunto é câncer, porém, é importante evitar a ideia de que um único alimento seja responsável pelo desenvolvimento da doença.

A relação entre alimentação e câncer é mais complexa. Peso corporal, atividade física, consumo de álcool, tabagismo, padrão alimentar e qualidade geral da dieta estão entre os fatores que podem influenciar o risco.

O problema está no excesso de farinha refinada

Durante o processo de refinamento, o grão de trigo perde partes importantes, como o farelo e o germe. Com isso, a farinha branca apresenta menos fibras e alguns nutrientes do que a farinha integral.

Isso não significa que todo alimento preparado com farinha branca seja automaticamente prejudicial ou que precise ser eliminado da alimentação. A principal questão está na frequência e na quantidade consumida, além do conjunto de ingredientes que acompanha esses produtos.

Um pão branco, por exemplo, pode fazer parte da alimentação de uma pessoa saudável. O problema aparece quando alimentos feitos com farinha refinada ocupam grande parte da dieta e substituem opções mais nutritivas, como cereais integrais, legumes, frutas e feijões.

A American Cancer Society recomenda um padrão alimentar com maior presença de vegetais, frutas, leguminosas e grãos integrais e orienta limitar alimentos ultraprocessados e produtos feitos com grãos refinados. A entidade destaca que os grãos integrais preservam mais fibras e nutrientes do grão original.

Essa diferença também ajuda a explicar por que a farinha integral costuma ser uma alternativa mais interessante. A fibra contribui para a saciedade, auxilia o funcionamento intestinal e está relacionada a um melhor controle da alimentação como um todo.

O que a ciência diz sobre farinha branca e câncer

Uma informação frequentemente compartilhada na internet afirma que carboidratos refinados aumentariam em 220% o risco de câncer de mama. A origem do número existe, mas a interpretação costuma ser exagerada.

O estudo “Carbohydrates and the Risk of Breast Cancer among Mexican Women”, publicado em 2004 na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, avaliou 1.866 mulheres no México, sendo 475 com câncer de mama e 1.391 no grupo de controle. As participantes que estavam no grupo de maior consumo de carboidratos apresentaram risco relativo de 2,22 em comparação com aquelas no grupo de menor consumo.

Isso equivale a uma associação de aproximadamente 122% de aumento relativo, e não significa que consumir farinha branca provoque câncer de mama. Além disso, o estudo avaliou o consumo total de carboidratos, e não exclusivamente farinha refinada.

Outro estudo, publicado na mesma revista em 2003 e baseado em dados do Nurses’ Health Study II, acompanhou 90.655 mulheres na pré-menopausa. Os pesquisadores não encontraram uma associação forte entre consumo de carboidratos, índice glicêmico ou carga glicêmica e o risco geral de câncer de mama. Os resultados variaram de acordo com o índice de massa corporal das participantes.

Por isso, não é adequado transformar um estudo isolado em uma regra de que “farinha branca causa câncer”.

O que existe hoje é uma recomendação mais ampla para melhorar o padrão alimentar. O World Cancer Research Fund International, por meio do programa Global Cancer Update Programme, analisou 170 estudos sobre padrões alimentares e estilo de vida relacionados à prevenção do câncer de mama e colorretal. 

A organização reforça a importância de uma alimentação rica em grãos integrais, frutas, verduras e feijões, associada à atividade física e ao controle do peso.

Trocar farinha branca por integral pode ser uma boa estratégia

A substituição não precisa acontecer de maneira radical. Para muitas pessoas, o caminho mais simples é aumentar gradualmente a presença de alimentos integrais na rotina.

Pães integrais, aveia, arroz integral, cevada e outros cereais preservam mais componentes do grão e oferecem maior quantidade de fibras. A recomendação do World Cancer Research Fund é que alimentos integrais, vegetais, frutas e leguminosas façam parte da alimentação habitual. A entidade também estabelece como meta o consumo de pelo menos 30 gramas de fibras por dia provenientes dos alimentos.

A American Cancer Society também recomenda priorizar grãos integrais em vez de versões refinadas. Segundo a entidade, esse padrão pode contribuir para o controle do peso e está associado à redução do risco de alguns tipos de câncer, especialmente o colorretal.

Isso significa que a melhor estratégia não é simplesmente demonizar a farinha branca. É observar o que ela representa dentro da alimentação. Se pães, massas, biscoitos, bolos e outros produtos feitos com farinha refinada aparecem várias vezes ao dia, pode ser interessante substituir parte deles por alimentos integrais e fontes naturais de fibras.

Também é importante não confundir farinha de trigo com glúten. O glúten é um conjunto de proteínas encontrado principalmente no trigo, na cevada e no centeio. Retirá-lo da alimentação não traz benefícios gerais comprovados para todas as pessoas. A exclusão deve ocorrer quando existe indicação específica, como doença celíaca ou outras condições avaliadas por profissionais de saúde.

No fim, a discussão sobre farinha branca é menos sobre encontrar um “vilão” isolado e mais sobre construir um padrão alimentar de melhor qualidade. Reduzir o excesso de produtos refinados, aumentar o consumo de fibras e priorizar alimentos pouco processados é uma estratégia mais consistente do que cortar um ingrediente específico por medo do câncer.

Para quem deseja mudar a alimentação, a orientação de um nutricionista pode ajudar a identificar quais substituições fazem sentido para a rotina, as necessidades nutricionais e os objetivos individuais.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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