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Sommelier ganha espaço com expansão do mercado de vinhos no Brasil

Profissional vai muito além da degustação e atua na escolha, conservação, harmonização e apresentação de bebidas

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Sommelier atua na escolha, conservação, serviço e harmonização de vinhos em restaurantes e outros estabelecimentos.
Sommelier atua na escolha, conservação, serviço e harmonização de vinhos em restaurantes e outros estabelecimentos. • Magnific

Há quem ainda associe a profissão de sommelier exclusivamente à pessoa responsável por provar vinhos. A atividade, porém, envolve muito mais conhecimento. O profissional pode participar da seleção e compra das bebidas, elaborar cartas, cuidar do armazenamento, orientar clientes, sugerir harmonizações e acompanhar diferentes etapas do serviço.

A profissão também deixou de estar restrita aos restaurantes de alta gastronomia. Com o interesse crescente por vinhos, cervejas e outras bebidas, sommeliers passaram a ocupar espaço em lojas especializadas, hotéis, importadoras, eventos, bares e cursos. Para quem deseja transformar o interesse por bebidas em carreira, o setor oferece diferentes possibilidades de atuação.

A própria evolução do mercado ajuda a explicar esse movimento. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o Brasil consumiu aproximadamente 4,4 milhões de hectolitros de vinho em 2025, o equivalente a cerca de 440 milhões de litros. 

O resultado representou alta de 41,9% em relação ao ano anterior e levou o país ao maior volume de consumo de sua série histórica, de acordo com a entidade.

O sommelier não é apenas um provador

A origem da palavra sommelier está relacionada a uma atividade antiga ligada ao transporte e à guarda de bebidas. Ao longo do tempo, a função foi se transformando até chegar ao profissional que hoje atua principalmente na seleção e no serviço de bebidas.

Em restaurantes, o sommelier pode ser responsável pela elaboração da carta de vinhos, escolha dos rótulos, negociação com fornecedores, recebimento das garrafas, organização da adega e conservação adequada das bebidas. Também cabe ao profissional apresentar opções aos clientes e auxiliar na escolha de acordo com o prato, o orçamento e as preferências de cada pessoa.

Isso exige conhecimento sobre uvas, regiões produtoras, safras, estilos, métodos de produção, temperatura de serviço e características sensoriais. Não basta reconhecer se determinado vinho é seco, doce, encorpado ou leve. É preciso entender como essas características se relacionam com a comida e com a experiência que o estabelecimento pretende oferecer.

A profissão também pode se desenvolver fora do restaurante. Lojas, importadoras e distribuidoras precisam de profissionais capazes de apresentar produtos, treinar equipes e orientar consumidores. Eventos e feiras do setor também criam oportunidades para quem possui conhecimento técnico e capacidade de comunicação.

Vinho desperta interesse além da bebida

O aumento do interesse pelo vinho também ajudou a ampliar o público que procura conhecimento sobre o assunto. Confrarias, degustações, cursos e encontros temáticos aproximaram a bebida de pessoas que não necessariamente trabalham no setor.

O cenário brasileiro ganhou relevância dentro do mercado internacional. A OIV estima que o consumo global de vinho tenha caído 2,7% em 2025, para 208 milhões de hectolitros. Enquanto mercados tradicionais registraram retração, o Brasil apareceu entre os países com crescimento do consumo no período.

Esse movimento abre espaço para profissionais capazes de traduzir informações técnicas para consumidores que estão começando a conhecer o universo do vinho.

Um curso, por exemplo, pode apresentar desde as diferenças entre as principais uvas até a influência do clima, do solo e do processo de produção nas características de cada rótulo. O aluno também pode aprender técnicas de degustação, serviço e harmonização.

Nesse contexto, o sommelier funciona como uma espécie de intermediário entre o produtor, o estabelecimento e o consumidor. Seu trabalho ajuda a transformar informações que poderiam parecer complexas em escolhas mais fáceis para quem está diante de uma carta com dezenas ou centenas de opções.

Sommelier e enólogo exercem funções diferentes

Apesar de as duas profissões estarem relacionadas ao vinho, sommelier e enólogo não desempenham a mesma função.

O enólogo participa da produção do vinho. Seu trabalho está ligado à transformação da uva em bebida e envolve decisões técnicas relacionadas ao cultivo, à colheita, à fermentação, à maturação e ao armazenamento. Dependendo da atividade exercida, o profissional pode acompanhar diferentes etapas do processo de elaboração.

O sommelier, por outro lado, está mais próximo do consumidor e do serviço. Ele conhece os produtos disponíveis, avalia suas características e pode definir quais rótulos fazem sentido para determinado estabelecimento ou público.

A diferença também aparece na gastronomia. Enquanto o enólogo está diretamente envolvido na elaboração do vinho, o sommelier precisa compreender a relação entre a bebida pronta e os alimentos. Uma harmonização bem planejada considera intensidade, acidez, doçura, gordura, textura e outros elementos presentes tanto no prato quanto na bebida.

A atividade ainda se expandiu para outras categorias. O mercado de cervejas, por exemplo, criou espaço para o sommelier de cervejas, profissional que precisa conhecer estilos, ingredientes, métodos de produção, características sensoriais, serviço e possibilidades de harmonização.

A profissão exige estudo e prática

Outro mito comum é imaginar que o sommelier passa o dia bebendo. A degustação profissional tem uma dinâmica diferente do consumo convencional. Durante uma avaliação técnica, o profissional analisa aspectos visuais, aromáticos e gustativos da bebida e pode descartá-la após a prova.

O objetivo é avaliar o produto, e não consumir grandes quantidades de álcool. Também é importante não associar o vinho a benefícios garantidos para a saúde. A ideia de que uma taça diária de vinho seria uma forma de proteger o coração não deve ser usada como recomendação de saúde. 

A Organização Mundial da Saúde reforça que o consumo de álcool está relacionado a riscos à saúde, inclusive ao câncer, e que não existe uma quantidade de álcool que possa ser considerada completamente isenta de risco.

Para quem pretende seguir a profissão, portanto, o principal investimento não está na quantidade de bebida consumida, mas no conhecimento. Cursos, degustações técnicas, contato com produtores e estudo constante fazem parte da formação.

O crescimento do mercado brasileiro de vinhos pode favorecer esse profissional, mas também aumenta a necessidade de qualificação. Quanto mais opções chegam ao consumidor, maior é a importância de alguém capaz de explicar diferenças, orientar escolhas e criar experiências.

Assim, o sommelier deixa de ser apenas a figura que apresenta uma garrafa à mesa. É um profissional que reúne conhecimento técnico, capacidade de comunicação e compreensão de gastronomia para conectar bebidas, estabelecimentos e consumidores. Em um mercado que passa por transformações e atrai novos públicos, essa combinação pode abrir caminhos para quem deseja fazer do universo das bebidas uma profissão.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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