Zema sobre relação entre Moraes e Vorcaro: ‘Prisão para ele’
Candidato do Novo foi um dos presidenciáveis que criticou a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro

Candidato do Novo à presidência da República, Romeu Zema (Novo) voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelas revelações da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, nesta terça-feira (1º). Em uma publicação nas redes sociais, o presidenciável pediu a prisão do magistrado e o chamou de “projetinho de ditador”.
“A PF acaba de demonstrar que o Min. Alexandre de Moraes editou o contrato do escritório da esposa com o Master, às 23h04, no mesmo sistema que ele usa pra despachar processo. E tem mais: Moraes teria pedido proteção pro Vorcaro diretamente ao PGR e ao diretor da PF”, disse Zema, sobre o inquérito da PF que foi tornado público nesta terça-feira por decisão do ministro André Mendonça, do STF.
“É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro”, completou o ex-governador de Minas Gerais.
Outros presidenciáveis também comentaram o caso. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, pediu a renúncia de Moraes do STF, enquanto Renan Santos (Missão) afirmou que vai apresentar um novo pedido de impeachment do magistrado.
O caso Barci de Moraes
Segundo investigação da Polícia Federal, Moraes teria editado o contrato de R$ 131 milhões do escritório Barci de Moraes, que tem como sócia-diretora a esposa do ministro, Viviane Barci, com o Master. Em nota, a banca confirmou que o magistrado foi consultado, na condição de marido da sócia, sobre eventuais impedimentos legais para a contratação.
"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz o escritório.
As mensagens apreendidas mostram, por exemplo, que o empresário tratava como prioridade o pagamento ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Moraes, esposa do magistrado. Em uma das conversas, o ex-deputado Fábio Faria diz a Vorcaro que “o careca não pode atrasar”. A mensagem foi enviada no mesmo contexto em que o banqueiro transferiu R$ 3,42 milhões ao escritório.
O pagamento fazia parte de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. O acordo previa R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, o equivalente a R$ 108 milhões líquidos ao longo do período
A investigação também aponta uma relação próxima de Moraes com Vorcaro, com pelo menos seis encontros entre 2024 e 2025, eventos na Europa e Campos do Jordão. O Banco Master também teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do casal. Moraes também foi consultado por Vorcaro dois dias antes da sua prisão, em novembro do ano passado.
Rede de influência na República
Segundo a PF, o empresário teria montado uma rede de monitoramento e influência em diversas instituições da República, o que permitia obter informações sigilosas.
Na decisão em que derrubou o sigilo do inquérito, o ministro André Mendonça, do STF, ressaltou que essas informações poderiam nortear orientações estratégicas nas negociações econômicas envolvendo o Master e, “até mesmo, na elaboração de sofisticado plano de fuga em caso de insucesso na empreitada delituosa, ou de descoberta de suas atividades pelas autoridades com competência investigativa”.
As análises da Polícia Federal (PF) apontaram que Vorcaro teve acesso antecipado a procedimentos investigatórios e apurações em curso na 10ª Vara Federal do Distrito Federal e na diretoria do Banco Central (BACEN), buscando intervir junto às autoridades responsáveis pelas decisões.
Na mesma decisão em que derrubou o sigilo do inquérito, Mendonça definiu que o caso deve ser analisado de forma presencial e pública pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em data ainda a ser agendada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



