Flávio Bolsonaro pede renúncia de Moraes após denúncias
Candidato diz que ministro precisa explicar relação com Vorcaro e afirma que PGR e PF também devem prestar esclarecimentos

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (1º) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “não tem mais condições” de permanecer no cargo. A declaração ocorreu após a divulgação de novas informações sobre a relação entre Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro”, afirmou Flávio a jornalistas no Senado.
A declaração foi dada após a divulgação de informações de que metadados de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de Viviane e o Banco Master indicariam que um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” fez alterações no documento em janeiro de 2024.
O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso ao contrato. Em nota, afirmou que ele foi consultado, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação. Segundo a banca, como não havia previsão de atuação no STF em processos relacionados ao banco, o contrato foi assinado e os serviços foram prestados.
Flávio Bolsonaro classificou as revelações como graves e disse estar “impactado” com as informações. Segundo o candidato, caso seja confirmado que Moraes participou da elaboração do contrato do escritório da própria esposa com Vorcaro, o episódio precisaria ser esclarecido pelo ministro.
Flávio também citou as mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. De acordo com informações divulgadas nesta terça-feira, o banqueiro teria mantido conversas com Moraes sobre o avanço da Operação Compliance Zero, que investigava o Banco Master.
Entre as mensagens, Vorcaro teria perguntado ao ministro se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal. A PF concluiu que o destinatário das mensagens era Moraes. O ministro, por sua vez, já negou ter recebido algumas das mensagens atribuídas ao banqueiro.
Além de pedir explicações a Moraes, Flávio Bolsonaro afirmou que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também precisam esclarecer as informações que aparecem nas investigações.
Flávio Bolsonaro, no entanto, se negou a responder as perguntas sobre repasses de Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, sua função foi apenas de captar recursos e ceder o direito de sua imagem, e que os questionamentos deveriam ser feitos a produtora do filme.
O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, já solicitou informações sobre as mensagens e determinou que a Polícia Federal produza um relatório sobre o material. A PGR também foi chamada a se manifestar.
O caso ganhou novo peso político porque envolve integrantes do STF, da PGR e da Polícia Federal, além de um empresário investigado por suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master.
Apesar da repercussão política, as informações divulgadas até agora não comprovam, por si só, que Alexandre de Moraes tenha cometido alguma irregularidade ou interferido ilegalmente nas investigações contra Vorcaro.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



