Técnicas de enfermagem prestam novo depoimento sobre mortes no Hospital Anchieta

Defesas afirmam que interrogatórios reforçam inocência das investigadas; polícia apura participação de três profissionais de enfermagem em mortes de pacientes internados

Hospital Anchieta - Taguatinga - DF

As técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22, prestaram um novo depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta quarta feira (4). As duas estão presas preventivamente desde 12 de janeiro, suspeitas de envolvimento nas mortes de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

Esse foi o segundo interrogatório das investigadas desde as prisões. A investigação começou oficialmente em 30 de dezembro de 2025, após a abertura de inquérito para apurar a morte de três pacientes atendidos na unidade hospitalar. Segundo as defesas, o procedimento policial se aproxima da fase final.

Além das duas técnicas, o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Andrade, de 24 anos, também é investigado. De acordo com a Polícia Civil, ele seria o responsável por aplicar substâncias que teriam provocado a morte dos pacientes internados.

O advogado de Amanda Rodrigues, Liomar Torres, afirmou que o depoimento da cliente durou cerca de três horas e meia e que o conteúdo apresentado reforça a tese de inocência. Segundo ele, as declarações da técnica foram compatíveis com o depoimento de Marcos Vinícius, que, de acordo com a defesa, não teria atribuído responsabilidade a Amanda nem a Marcela.

A defesa também informou que uma nova análise foi realizada em dispositivos eletrônicos apreendidos durante a investigação. Segundo o advogado, o material extraído do celular e do computador de Amanda não apresentou elementos que indiquem participação dela nos crimes.

Já a defesa de Marcela Camilly afirmou que o novo interrogatório também incluiu a apresentação de conteúdos retirados do celular da investigada e classificou o depoimento como produtivo para o esclarecimento dos fatos.

A apuração faz parte da Operação Anúbis, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal. A primeira fase da operação foi deflagrada em 11 de janeiro, quando dois suspeitos foram presos temporariamente e foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal e no Entorno.

Durante as diligências, os investigadores recolheram materiais que passaram por perícia. A polícia tenta reconstruir a dinâmica das mortes, identificar o papel de cada suspeito e verificar se outras pessoas podem ter participado do esquema.

Leia também

Na semana passada, a investigação avançou com a segunda fase da operação, quando foi cumprido mais um mandado de prisão temporária e novos dispositivos eletrônicos foram apreendidos em Ceilândia e Samambaia. Ao final do inquérito, os investigados poderão ser indiciados por homicídio doloso qualificado por meio insidioso e pela impossibilidade de defesa das vítimas. Segundo a polícia, os pacientes teriam recebido a substância sem consentimento enquanto estavam inconscientes e intubados na UTI.

A pena prevista para esse tipo de crime varia de 12 a 30 anos de prisão para cada morte comprovada. A Polícia Civil informou que só deve se manifestar publicamente quando as investigações forem concluídas.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

Ouvindo...