Copa do Mundo em risco? Especialista faz constatação em meio à guerra no Oriente Médio

Estados Unidos e Irã intensificaram os ataques a 100 dias do Mundial, que ocorrerá na América do Norte

Donald Trump e Gianni Infantino nutrem boa relação às vésperas da Copa do Mundo

A menos de 100 dias da Copa do Mundo, Estados Unidos e Irã protagonizam o noticiário com a guerra no Oriente Médio que gera um clima de tensão global. Por conta disso, surgem dúvidas quanto à realização do maior evento esportivo do mundo.

Ao mesmo tempo, o México vive dias de tensão após a morte de um dos principais líderes do narcotráfico do planeta.

Para entender como esses cenários geopolíticos podem impactar grandes eventos esportivos, a Itatiaia conversou com o especialista em política internacional Vito Villar.

Apesar de entender a dimensão do conflito que se intensificou nos últimos dias, Vito afirma que esse tipo de tensão não é exclusivo da Copa de 2026.

É curioso, porque nós temos a tendência de enxergar o nosso momento histórico como único. Mas quando analisamos a história com mais atenção, vemos que esses cenários infelizmente são recorrentes”, iniciou.

“Tivemos, por exemplo, a Copa de 2018 na Rússia poucos anos após a anexação da Crimeia e do início da guerra no leste da Ucrânia. Também podemos citar a Copa de 1998, quando a Iugoslávia disputou o torneio em meio à Guerra do Kosovo”, afirmou.

“Ou seja, o futebol frequentemente convive com contextos políticos e conflitos internacionais”, completou.

No entanto, existe uma novidade que envolve a Copa do Mundo de 2026: o fato de Estados Unidos e Irã - sede e país classificado - estarem no mesmo torneio.

“Isso gera uma situação inédita. Já houve, inclusive, dificuldades diplomáticas. Em alguns eventos organizativos recentes da Copa, a delegação iraniana não esteve presente. Houve também problemas relacionados à emissão de vistos”, analisa.

“Além disso, existe um contexto político importante: a aproximação entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente americano Donald Trump. Isso faz com que a entidade provavelmente tente evitar qualquer confronto diplomático direto”, completa.

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Nova Zelândia e Egito. Até aqui, o país ainda não tomou decisão sobre a participação ou não no mundial.

Quais podem ser as ações tomadas pelos Estados Unidos?

Donald Trump (à esq.), presidente dos EUA, recebe o Prêmio da Paz da Fifa de Gianni Infantino (à dir.), presidente da Fifa

Por conta dessa tensão, Vito admite a possibilidade do governo estadunidense agir para dificultar a vida dos iranianos no torneio.

“Uma possibilidade seria a restrição de vistos. Atualmente, cidadãos iranianos já enfrentam restrições para entrar nos Estados Unidos. Existe uma exceção prevista para grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo. Mas, com o atual cenário, os vistos poderiam ser negados ou sofrer atrasos significativos. Outra possibilidade seria limitar a presença de torcedores iranianos nos jogos”, afirmou.

Nesse sentido, o especialista entende que existe uma grande possibilidade do boicote do Irã ao Mundial. Nesse sentido, os Estados Unidos devem consentir com isso, com apoio da Fifa.

Eu acho que o Irã vai optar por fazer isso. E eu acho que é uma saída segura para os Estados Unidos. Para lembrar também que a FIFA é quem decide, na verdade. Ela pode fazer o que quiser nesse caso. Ela pode optar por não deixar o Irã participar, ela pode optar por, sei lá, chamar qualquer país que queira, ela pode optar por não chamar país nenhum”, analisou.

“Então cabe à FIFA. E o Gianni Infantino estando tão próximo do Donald Trump, eu acho que provavelmente a posição dos Estados Unidos vai contar muito nesse caso. Donald Trump falou, inclusive, que não se importa com o que o Irã vai fazer com relação à Copa do Mundo. E eu acho que, na verdade, Donald Trump se importa muito pouco, de fato, com a Copa do Mundo de uma maneira geral”, completou.

Vale destacar que Gianni Infantino e o presidente Donald Trump nutrem boa relação. O mandatário dos Estados Unidos da América, recebeu o Prêmio da Paz da Fifa durante o sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. O estadunidense foi o primeiro a receber a honraria da entidade máxima do futebol.

Copa do mundo em risco?

Para Vito Villar, apesar dos conflitos, as chances da Copa do Mundo não ocorrer são mínimas.

“A chance é mínima. A FIFA possui contratos bilionários com patrocinadores e empresas que investiram justamente porque o torneio será realizado nos Estados Unidos. Cancelar ou transferir o evento significaria pagar multas gigantescas. Por isso, a tendência é que a FIFA faça todo o possível para garantir que a Copa aconteça como planejado”, finalizou.

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Grupos da Copa do Mundo de 2026

Os 12 grupos da competição foram definidos pela Fifa mediante sorteio, realizado no dia 5 de dezembro de 2025, conforme abaixo.

Grupo A

  • México
  • África do Sul
  • Coreia do Sul
  • Repescagem Europa D (República Tcheca, Irlanda, Dinamarca ou Macedônia do Norte)

Grupo B

  • Canadá
  • Repescagem Europa A (Itália, Irlanda do Norte, País de Gales ou Bósnia)
  • Catar
  • Suíça

Grupo C

  • Brasil
  • Marrocos
  • Haiti
  • Escócia

Grupo D

  • Estados Unidos
  • Paraguai
  • Austrália
  • Repescagem Europa C (Turquia, Romênia, Eslováquia ou Kosovo)

Grupo E

  • Alemanha
  • Curaçao
  • Costa do Marfim
  • Equador

Grupo F

  • Holanda
  • Japão
  • Repescagem Europa B (Ucrânia, Suécia, Polônia ou Albânia)
  • Tunísia

Grupo G

  • Bélgica
  • Egito
  • Irã
  • Nova Zelândia

Grupo H

  • Espanha
  • Cabo Verde
  • Arábia Saudita
  • Uruguai

Grupo I

  • França
  • Senegal
  • Repescagem Intercontinental 2 (Bolívia, Suriname ou Iraque)
  • Noruega

Grupo J

  • Argentina
  • Argélia
  • Áustria
  • Jordânia

Grupo K

  • Portugal
  • Repescagem Intercontinental 1 (República Democrática do Congo, Jamaica ou Nova Caledônia)
  • Uzbequistão
  • Colômbia

Grupo L

  • Inglaterra
  • Croácia
  • Gana
  • Panamá

Como será a fase de grupos?

Cada grupo terá quatro seleções, que se enfrentam entre si. Avançam:

  • Os dois primeiros colocados de cada grupo
  • Os oito melhores terceiros colocados

Assim, 32 seleções vão ao mata-mata.

Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.

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