Sem projetos na pauta, deputados usam ordinária na ALMG para repercutir prisão de Bolsonaro
Em sessão esvaziada, discussões no plenário do Legislativo foram tomadas pelo assunto da prisão domiciliar do ex-presidente

A reunião ordinária da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que voltou do recesso parlamentar na última segunda-feira (05), foi tomada pela repercussão da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Em uma sessão esvaziada e sem projetos na pauta, os deputados tomaram todo o tempo da reunião para criticar ou defender a prisão. Os primeiros a falar foram os parlamentares do PT, Leleco Pimentel e Cristiano Silveira. Leleco afirmou que o decreto de Moraes era um alívio cívico.
Silveira, por sua vez, afirmou que o filho do presidente e deputado federal prejudicou setores da economia brasileira ao atuar, nos Estados Unidos, pelas sanções impostas pelo presidente Donald Trump.
“O Eduardo conseguiu a proeza de piorar a situação do próprio pai nos Estados Unidos e, de brinde conseguiu uma taxação do Trump e não pode mais voltar ao Brasil. Ninguém da esquerda foi capaz de colocar Bolsonaro e família em uma sinuca de bico tão grande quanto eles próprios conseguiram”, ironizou.
O jogo virou
Ainda ironizando a prisão de Bolsonaro, Cristiano Silveira lembrou a atuação de Jair Bolsonaro na pandemia, quando o então presidente da República usava termos como ‘choradeira’ e ‘mimimi’ para criticar ações de prevenção à Covid-19.
“Acho engraçado ficar nessa choradeira. Nao eram eles que na pandemia ficavam falando ‘até quando vão ficar chorando?’ ‘Chega de mimimi’. Digo isso para eles”, afirmou.
Críticas a Moraes
Do lado bolsonarista, deputados estaduais criticaram Alexandre de Moraes e apontaram possíveis irregularidades no decreto de prisão.
O deputado Cristiano Caporezzo (PL) afirmou que pretende viajar para Brasília para pressionar o Congresso Nacional pelo impeachment do ministro do STF e pela anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Caporezzo também enalteceu as sanções impostas pelos Estados Unidos.
“Alexandre de Moraes envergonhou o Brasil diante do mundo ao ser o primeiro juiz da Suprema Corte nacional a ser punido com a duríssima lei Magnitsky”, afirmou. “Agradeço ao governo norte-americano, na pessoa do presidente Donald Trump e do deputado em exílio Eduardo Bolsonaro por estarem defendendo a liberdade em nosso país ao tomar postura contra este tirano”, seguiu o deputado.
Bruno Engler (PL), por sua vez, disse que a prisão de Bolsonaro era irregular. “Essa condenação é baseada no fato de que os filhos de Jair Bolsonaro foram às manifestações e as divulgaram. Não existe isso no processo penal brasileiro, punir alguém pela conduta de outra pessoa, só na tirania de Alexandre de Moraes”, afirmou, seguindo com seus argumentos jurídicos.
“Alexandre de Moraes rasga o código de processo penal. Tem a punição por ação de terceiros, que não existe no ordenamento jurídico, mas não tem manifestação nem da PGR nem da Polícia Federal. É um claro abuso de poder”, disse.
Também discursaram, pró e a favor de Bolsonaro, as deputadas estaduais Chiara Biondini (Progressistas) e Bella Gonçalves (Psol). O esvaziamento do plenário causou o encerramento da sessão.
Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.


