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TCE libera Governo de MG a oferecer ações estatais da Copasa

Pleno do Tribunal de Contas votou por unanimidade para liberar estado a oferecer publicamente suas ações na companhia

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TCE-MG • Bernardo Estillac/Itatiaia

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) autorizou que o Governo de Minas faça o lançamento da oferta pública das ações estatais na Copasa em decisão no plenário na manhã desta segunda-feira (18). A decisão permite o avanço do processo de privatização da companhia de saneamento.

O relator do processo que avalia a privatização da Copasa no tribunal, Agostinho Patrus, apontou que Copasa e Governo de Minas cumpriram com os prazos estabelecidos pelo TCE e se enquadram nos padrões exigidos para o prosseguimento das ações de desestatização.

Em seu voto, Patrus ainda determinou um prazo de 30 dias para que a Copasa apresente um projeto de priorização do abastecimento hídrico de escolas públicas e um relatório sobre as queixas de cidades onde foi cobrada uma taxa de tratamento de esgoto mesmo sem a entrega do serviço.

Em decisão anterior, proferida em 16 de abril, o pleno do TCE havia determinado limites para o avanço das discussões sobre a venda da companhia de saneamento. O tribunal liberou que a estatal faça ações como a realização de estudos, avaliações e auditorias; elaboração de documentos estruturantes e aprovação em instâncias de governança; e o protocolo de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e submissão de documentos à Bolsa de Valores (B3). No entanto, a Copasa ainda não poderia oferecer as ações estatais no mercado, o que foi autorizado nesta segunda.

Na primeira semana de maio, dentro dos processos autorizados pelo TCE,a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Aegeademonstraram interesse em assumir a Copasa e fizeram um credenciamento prévio para a compra de ações da estatal mineira. As empresas interessadas tinham até 8 de maio para se cadastrar.

A privatização da Copasa

Desejo antigo do Governo de Minas sob a gestão de Romeu Zema (Novo), a privatização da Copasa só avançou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais no segundo semestre do ano passado. Na ocasião, o Executivo mineiro conseguiu a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que, originalmente, derrubava a exigência da consulta popular para vender Copasa e Cemig.

Na tramitação na Assembleia, deputados retiraram a companhia energética do texto e ele foi aprovado abrangendo apenas a Copasa. Logo em sequência, os parlamentares aprovaram um projeto de lei (PL) específico para autorizar a privatização da companhia de saneamento.

A privatização da Copasa foi aprovada na Assembleia no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), projeto que permite o refinanciamento em 30 anos da dívida de cerca de R$ 200 bilhões que Minas tem com a União.

Para se adequar ao modelo de pagamento do débito com juros reduzido apenas à inflação, o estado precisa se adequar a alguns parâmetros, entre eles está um investimento em áreas como infraestrutura, segurança e ensino profissionalizante. O Governo de Minas defende que a venda da Copasa fornecerá recursos para esse investimento.

Outras ações em curso

A decisão do tribunal pode ser suspensa por outros processos em curso no próprio TCE. Uma ação movida pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto (Sindágua-MG), por exemplo, pede a suspensão da privatização.

O sindicato que representa os trabalhadores da companhia de saneamento acionou o tribunal na última segunda-feira (11) para questionar a modelagem e a condução do processo de privatização da Copasa. A partir das reivindicações apresentadas pelo Sindágua, o TCE pediu informações para a empresa e estabeleceu, a partir desta segunda, o prazo de 72 horas para que a empresa se manifeste.

Segundo o sindicato, a Copasa fez exigências financeiras desproporcionais para os grupos interessados em adquirir as ações da empresa atualmente sob comando do Estado de Minas Gerais. O Sindágua argumenta que foram criadas barreiras de entrada que dificultam o cenário de competição para a venda da participação estatal na companhia.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.