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Relatório da PF diz não ver indício de crime em jornalista alvo de Moraes

Operação contra fonte de Luís Pablo foi determinada após ministro ver indícios de que jornalista publicou reportagens pagas contra Flávio Dino

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Homem foi preso pela Polícia Federal (PF) • Divulgação / PF

Relatório da PF (Polícia Federal) sobre a operação contra a fonte do jornalista do Maranhão Luís Pablo diz não haver indício de crime de violação de sigilo funcional dele e que não é possível “apontar com máxima certeza” que ele recebeu dinheiro para publicar reportagens contra o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Desta feita através da análise desta conversa é buscando ligação direta ou indireta com a troca de informações envolvendo Raimundo Cutrim, fora encontrado um depósito em dinheiro entre Diogo Lima e Luis Pablo, mas que recebera o montante pecuniário na conta de outra pessoa - Danilo Cutrim Bezerra. Assim, apesar de não ser possível especificar o motivo da transferência da quantia de 100.000,00 reais entre os mencionados, percebeu-se uma vinculação através do polo Luis Pablo. Porém, reafirma-se que através do que fora analisado, não é cabível apontar com máxima certeza, que a quantia em comento se trata de pagamento destinado a matérias jornalísticas ou recebimento ligado a assuntos desse teor”, diz o documento obtido pelo blog do Caio Junqueira, analista da CNN.

A operação contra a fonte do jornalista foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ela ocorreu na semana passada e foi revelada em primeira mão pela CNN.

Moraes entendeu que havia indícios de que Luís Pablo publicou reportagens pagas contra Dino e que cometeu crimes de perseguição. O jornalista nega essa acusação.

O relatório da PF diz que é preciso ampliar a análise dos dados para se chegar a essa conclusão.

“Resta através do analisado a necessidade de maiores análises das mídias disponíveis, assim como tempo hábil para aprofundamento na mesma. Somado a esta necessidade, seria de suma importância a possibilidade de obtenção de extração de mídias presentes nos celulares ou outras formas de armazenamentes dos indivíduos mencionados nessa Informação Policial, visto que restaram lacunas a respeito da real intenção e motivo do deposito da quantia de 100.000,00 reais”, afirma.

O documento sugere que o jornalista obteve os documentos por meio de WhatsApp e se encontrou com a fonte, mas rejeita a ideia de perseguição apontada por Moraes. “Não se trata de acusar o jornalista do cometimento de tal crime, já que o mesmo, em tese, está acobertado pelo direito à liberdade de imprensa, amplamente reconhecido em nossos tribunais”, diz o relatório.

O documento mostra que o jornalista recebeu R$ 100 mil e o recurso foi usado para pagar um imóvel rural de R$ 461 mil, que foi quitado por Luís Pablo.

O jornalista havia sido alvo de busca e apreensão em março, após fazer reportagens denunciando o uso irregular de carros oficiais pelo ministro do STF Flávio Dino e seus familiares no Maranhão.

No relatório obtido pela CNN, a PF afirma que a informação sobre o suposto uso de viatura oficial só poderia ser obtida por meio de consultas a sistemas oficiais. Segundo os investigadores, a hipótese de que uma pessoa acessou o sistema e repassou os dados para Luís Pablo poderia configurar o crime de violação de sigilo funcional — que não se aplicaria ao jornalista e, sim, ao agente público.

"Note-se, aqui, que não se trata de acusar o jornalista do cometimento de tal crime, já que o mesmo, em tese, está acobertado pelo direito à liberdade de imprensa, amplamente reconhecido em nossos tribunais", diz o documento.

Na semana passada, Moraes determinou operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, advogado e ex-secretário de Urbanismo e Habitação de São Luís. Segundo a Polícia Federal, os dois seriam informantes de Luís Pablo.

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