Jornalista investigado no Supremo Tribunal Federal diz que querem sua 'destruição profissional'
Em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão na residência de Luís Pablo

O jornalista investigativo Luís Pablo afirmou que as medidas de busca e apreensão relacionadas a Raimundo Cutrim, apontado como fonte de reportagens sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, são “muito graves” e teriam como objetivo “destruir profissionalmente um jornalista”.
“Depois que uma fonte é identificada dentro de uma investigação, quem vai se sentir seguro para me procurar para entregar uma informação? Como eu vou preservar as fontes que construí durante anos de profissão se elas passam a ter medo de também serem identificadas e investigadas?”, questionou Luís Pablo na terça-feira (11).
Com atuação no Maranhão, o jornalista publicou uma série de reportagens segundo as quais um carro oficial do Tribunal de Justiça do estado teria sido utilizado pela família de Flávio Dino para deslocamentos pela cidade.
Em março deste ano, o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão na residência de Luís Pablo. Na decisão, Moraes apontou que o jornalista teria cometido o crime de perseguição e permitido “a exposição indevida relacionada à segurança de autoridades” ao identificar o veículo oficial.
A partir da extração de dados de equipamentos do jornalista, Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, teria sido identificado como fonte das reportagens.
Luís Pablo sustenta que as denúncias eram de interesse público e que apresentou provas das supostas irregularidades, que, segundo ele, não foram investigadas pelas autoridades. O jornalista também afirma que aspectos de sua vida pessoal, sem relação com as reportagens, estão sendo utilizados para tentar incriminá-lo.
“Minha vida privada passou a ser vasculhada. E agora fatos e revelações particulares, que não têm qualquer ligação com as minhas reportagens, estão sendo usados para tentar me atribuir uma conduta criminosa”, declarou.
Defesa de Raimundo Cutrim
Em nota, os advogados José Berilo de Freitas Leite Filho e José Berilo de Freitas Leite Neto afirmaram que ainda não tiveram acesso à íntegra dos autos, que tramitam sob sigilo no STF.
A defesa reconheceu que a diligência está relacionada às reportagens sobre os carros oficiais e manifestou “preocupação técnica” com a exposição de uma fonte jornalística. Os advogados citaram o sigilo de fonte assegurado pelo artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.
Procurado, Luís Pablo negou ter perseguido o carro utilizado pelo ministro ou por familiares. Ele afirmou que a informação sobre o uso do veículo oficial é comprovada e também negou ter recebido qualquer pagamento para publicar as reportagens.
Gabinete de Flávio Dino nega irregularidades
A assessoria de Flávio Dino negou qualquer irregularidade no uso do veículo. Segundo o gabinete, tratava-se de um carro blindado cedido pela Secretaria de Segurança do STF, no âmbito de um acordo de cooperação firmado com tribunais do país.
Em nota, a assessoria afirmou ainda que a investigação identificou monitoramento clandestino do ministro e de familiares, incluindo veículos particulares e, segundo o texto, imagens dos filhos, que são menores de idade. De acordo com o gabinete, as imagens teriam sido produzidas por pessoas que não seriam jornalistas.
A assessoria também afirmou que o levantamento reuniu informações sobre a equipe de segurança de Flávio Dino, o que teria exigido mudanças no esquema de proteção do ministro.
Aliados de Dino disseram à CNN Brasil que o carro particular do ministro também era seguido e afirmaram que Luís Pablo teria cobrado R$ 100 mil para publicar as reportagens. O jornalista nega ter feito qualquer cobrança.
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