Chico César será homenageado com título de cidadão mineiro na Assembleia
Cantor, compositor e escritor paraibano será reconhecido por "relevantes serviços prestados a Minas Gerais"

O cantor, compositor e escritor paraibano Chico César receberá o título de cidadão honorário de Minas Gerais nesta sexta-feira (21), a partir das 10h (de Brasília). A honraria será concedida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O Projeto de Resolução que homenageia o músico, de autoria da deputada Andréia de Jesus (PT), foi aprovado em 10 de junho, em turno único durante plenário da ALMG.
Natural de Catolé do Rocha, na Paraíba, o artista receberá o título pelos "relevantes serviços prestados a Minas Gerais".
A trajetória de Chico César
Ao longo da carreira, Chico César consolidou-se como um expoente da MPB, ao misturar ritmos nordestinos com reggae, rock, pop e referências da música africana.
Por ter nascido no interior da Paraíba, desde cedo o cantor teve contato com a música popular, os cantadores nordestinos e a literatura de cordel. Ainda criança, ele trabalhou em uma loja de discos, experiência que lhe permitiu conhecer artistas e estilos musicais variados. Aos 16 anos, mudou-se para João Pessoa, onde estudou Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Durante a juventude, participou do Jaguaribe Carne, coletivo de vanguarda que reunia músicos e poetas paraibanos.
Aos 21 anos, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como jornalista e revisor de textos na Editora Abril. Paralelamente, aperfeiçoou-se no violão, passou a compor suas próprias músicas e começou a se apresentar em pequenos espaços da cena musical paulistana.
A carreira musical deu um passo decisivo em 1991, quando ele foi convidado a realizar uma turnê pela Alemanha. O sucesso das apresentações o levou a abandonar o jornalismo para dedicar-se integralmente à música. Novamente em São Paulo, formou a banda Cuscuz Clã e voltou a se apresentar no circuito alternativo da cidade.
Em 1995, lançou seu primeiro álbum, "Aos Vivos". Gravado ao vivo em formato acústico, o disco chamou atenção para seu trabalho autoral. No ano seguinte, o álbum de estúdio "Cuscuz Clã" consolidou sua projeção nacional: ele ganhou o Prêmio Sharp de revelação regional e o prêmio de melhor compositor da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
Além do reconhecimento por parte da crítica, Chico César também se tornou um fenômeno popular. Em 1996, a música "À primeira vista", gravada ao vivo no primeiro disco e em estúdio no segundo, também entrou na trilha sonora da novela "O Rei do Gado" (Globo) na voz de Daniela Mercury. Em 1997, o videoclipe de "Mama África" foi premiado com o troféu VMB da MTV Brasil.
Após esse começo promissor, construiu uma sólida carreira como cantor e compositor. Ao todo, foram 11 discos de estúdio, que trazem parcerias com nomes como Lenine, Geraldo Azevedo, Zeca Baleiro e os músicos africanos Salif Keita e Ray Lema. Com o álbum "Estado de Poesia Ao Vivo", lançado em 2017, venceu o Prêmio da Música Brasileira na categoria pop/rock/reggae/hip-hop/funk.
Paralelamente à carreira musical, Chico César também se enveredou pela literatura. É autor de três livros de poesia: "Rio Sou Francisco", "Cantáteis – Cantos elegíacos de amozade" e "Versos Pornográficos". Este último foi indicado ao Prêmio Jabuti de melhor livro de poesia em 2016.
Chico César também foi presidente da Fundação Cultural de João Pessoa e secretário de Estado de Cultura da Paraíba.
Nuno Krause é repórter de política da Rádio Itatiaia. Antes, ficou dois anos no portal Itatiaia Esporte. Formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), acumula passagens também por Bahia Notícias, Jornal A TARDE e Rádio Salvador FM.



