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PSOL-Rede pede cassação de Ciro Nogueira no Conselho de Ética do Senado

Partidos apontam possível uso do mandato para favorecer interesses privados e citam investigação da Polícia Federal sobre repasses relacionados a Vorcaro

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Ciro Nogueira (PP-PI), senador e presidente do Progressistas.
Ciro Nogueira (PP-PI), senador e presidente do Progressistas. • Andressa Anholete | Agência Senad

A Federação PSOL-Rede protocolou nesta quarta-feira (17) uma representação no Conselho de Ética do Senado pedindo a cassação do mandato do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A iniciativa tem como base informações reunidas em investigação da Polícia Federal que apura a relação do parlamentar com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No documento encaminhado ao Senado, os partidos afirmam que os fatos investigados ultrapassam uma eventual conduta individual e podem indicar o uso da atividade parlamentar para beneficiar interesses privados.

Segundo a representação, há indícios de que prerrogativas do mandato teriam sido utilizadas em favor de interesses econômicos específicos, situação que, na avaliação da federação, poderia configurar quebra de decoro parlamentar. O pedido de cassação faz referência a apurações da Polícia Federal que investigam supostos repasses financeiros realizados por empresas ligadas a Daniel Vorcaro a uma empresa vinculada ao senador. De acordo com informações citadas pelos autores da representação, os pagamentos teriam alcançado valores mensais de até R$ 500 mil. A investigação aponta que os repasses teriam somado aproximadamente R$ 6 milhões ao longo do período analisado.

A Polícia Federal apura se houve contrapartidas relacionadas à atuação política do senador em temas de interesse do Banco Master. Até o momento, não há condenação judicial sobre o caso.

Argumentos dos partidos

Para o líder da bancada do PSOL na Câmara, deputado Tarcísio Motta (RJ), os elementos reunidos pelas investigações justificam a abertura de um processo disciplinar contra o senador. Segundo o parlamentar, as informações produzidas pela Polícia Federal apontariam uma relação incompatível com o exercício do mandato parlamentar e exigiriam uma resposta institucional do Senado.

A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, também defendeu a apuração do caso pelo Conselho de Ética. Ela afirmou que as informações divulgadas sobre a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro levantam questionamentos sobre a atuação do senador e justificam a análise da conduta parlamentar.

Com o protocolo da representação, caberá ao Conselho de Ética do Senado analisar a admissibilidade do pedido e decidir se haverá abertura formal de processo disciplinar. Caso a representação avance, o senador terá direito à ampla defesa e ao contraditório durante toda a tramitação.

A reportagem não localizou manifestação de Ciro Nogueira sobre o pedido apresentado pela Federação PSOL-Rede até a publicação desta matéria. Caso haja posicionamento do senador ou de sua defesa, o texto será atualizado.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.