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Relatórios da PF mostram influência de Vorcaro no meio político

Investigação aponta pagamento de viagens a parlamentares, atuação em projetos de lei e tentativa de interlocução com autoridades da PF e da PGR

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Daniel Vorcaro preso
Daniel Vorcaro preso • Reprodução

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro também mostram pedidos de reserva de quartos em um hotel de luxo em Lisboa, em junho de 2024, para um encontro com políticos brasileiros. Segundo a Polícia Federal, os destinatários seriam o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira.

De acordo com os investigadores, as reservas teriam sido feitas no hotel Four Seasons. Em manifestação à imprensa nesta terça-feira (16), Hugo Motta afirmou que participou de um evento corporativo e disse estar tranquilo em relação às investigações.

“Tudo está sendo apurado. Eu sempre fui a favor da transparência e as investigações vão acontecer”, declarou o presidente da Câmara.

Informações privilegiadas

Os relatórios também apontam que Vorcaro teria obtido informações sigilosas relacionadas às investigações sobre o Banco Master e ao Banco Central. A PF sustenta que o ex-banqueiro teve conhecimento prévio de uma reunião reservada entre a corporação e o BC e chegou a saber em qual vara judicial o caso seria inicialmente analisado.

Quando questionado em audiência sobre a origem dessas informações, Vorcaro afirmou que tomou conhecimento por meio da imprensa. No entanto, segundo a investigação, foi o próprio empresário quem repassou dados a um jornalista, que teria recebido recursos para publicar informações de interesse do banqueiro.

Mensagens apreendidas também indicam que um ex-diretor do Banco Central alertou Vorcaro sobre a reação negativa do mercado à chamada “emenda Master”, proposta apresentada por Ciro Nogueira para ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que beneficiaria o modelo de negócios do banco.

Tentativa de interlocução com PF e PGR

Segundo o relatório preliminar, Daniel Vorcaro tentou estabelecer contato com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pouco antes de sua prisão, em novembro de 2025.

A PF afirma que, em anotações encontradas no celular do empresário, ele solicitou a um interlocutor que reforçasse junto aos chefes dos órgãos para evitar que subordinados praticassem “alguma sacanagem”, sob o risco de que “iria tudo para o saco”.

Os investigadores também afirmam que Vorcaro mantinha, desde julho de 2025, um monitoramento sobre procedimentos relacionados ao Banco Master e utilizava informações obtidas de forma ilegal para acompanhar o avanço das apurações que culminaram na Operação Compliance Zero.

Segundo a CNN, os documentos mostram que, após ser preso pela primeira vez, o ex-banqueiro teria ampliado o monitoramento de autoridades e buscado influenciar agentes públicos em benefício próprio.

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