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Após 40 anos de mandatos, Aécio Neves anuncia que não será candidato em 2026

Tucano era cotado como um possível candidato ao Senado Federal

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O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG)
O deputado federal Aécio Neves • Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente nacional do PSDB e deputado federal, Aécio Neves, anunciou, nesta terça-feira (4), que não vai concorrer a nenhum cargo eletivo após mais de 40 anos de mandatos consecutivos. Ao comentar a decisão, o tucano, que já foi governador de Minas Gerais por dois mandatos, senador, deputado e presidente da Câmara Federal, afirmou que na política é preciso “coragem, coerência e desprendimento”.

“Coragem para tomar decisões difíceis, coerência para manter lealdade às nossas convicções e desprendimento para colocar o interesse coletivo acima de soluções individuais”, pontua. “Mas a política, como a vida, é feita de acertos e desacertos, de vitórias e derrotas. E é construída também pelas circunstâncias e pelas prioridades que escolhemos. É com esse espírito que eu compartilho com vocês a decisão de, após todos esses anos, não ser candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições de 2026”, destaca.

O parlamentar declarou ainda que a decisão foi “especialmente difícil”, visto que, nas palavras dele, chega “às vésperas de uma eleição liderando as pesquisas sobre a disputa por uma das vagas no Senado”. “Essa decisão não significa, no entanto, uma despedida da vida pública, das futuras disputas eleitorais e, muito menos, um distanciamento das causas que sempre defendi e continuarei defendendo”, continua.

Aécio frisa que neste momento será “mais útil a Minas e ao país” dedicando-se ao fortalecimento do centro democrático no Brasil. “A minha prioridade, a partir de agora, é liderar, como Presidente Nacional do PSDB, função que continuarei exercendo, ao lado de tantos brasileiros que pensam como eu, um novo e vigoroso projeto de Brasil, liberal na economia, inclusivo no campo social, responsável na gestão fiscal e pragmático na defesa dos interesses do país ao redor do mundo”, acrescenta.

“Quero contribuir para nos libertarmos da ruína e do martírio da polarização e ajudar a pôr fim à guerra fratricida, alimentada pelo extremismo e pela disputa do poder pelo poder. Vou trabalhar diuturnamente para vencermos a intolerância e a irracionalidade que sequestraram o debate democrático e nos dividiram de forma jamais vista. Somos muito maiores do que a soma de Lula e Bolsonaro e vamos mostrar isso preparando esse novo e consistente projeto de Brasil”, conclui.

Do gabinete do avô ao "quase presidente"

Neto de Tancredo Neves, ex-governador de Minas Gerais, Aécio se inseriu na política aos 22 anos, quando se tornou secretário particular do avô materno. Tancredo seria eleito presidente da República em 1985, mas morreria antes de tomar posse. Aécio adquiriu com o avô suas primeiras experiências políticas ao se formar em economia pela PUC Minas.

Em 1986, aos 26 anos, ainda tucano, deixou a diretoria de Loterias da Caixa Econômica Federal para se tornar o deputado federal mais votado de Minas Gerais, com 236 mil votos, integrando a Assembleia Nacional Constituinte. Permaneceu na Câmara de 1987 a 2002, somando quatro mandatos, e em 1988 migrou para o PSDB.

Dentro do partido, Aécio Neves circulou entre nomes como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e José Serra, em uma trajetória que o levou à Presidência da Câmara dos Deputados, cargo no qual adotou postura de contenção de gastos, embora também tenha criado a chamada "verba de gabinete", e investimento em ações de divulgação institucional e pesquisas de opinião sobre o trabalho parlamentar.

Presidiu a Câmara entre fevereiro de 2001 e dezembro de 2002, renunciando ao mandato de deputado para assumir a transição rumo ao governo de Minas Gerais, para o qual havia sido eleito.

Aécio no governo de Minas Gerais

Herdeiro político de Tancredo Neves, Aécio assumiu pela primeira vez o governo de Minas em 2003, exatamente 20 anos depois da eleição de seu avô para o mesmo cargo. Foi reeleito governador já no primeiro turno, em 2006, com 73,03% dos votos válidos, a maior votação já registrada na história do estado. Governou Minas Gerais até março de 2010, quando deixou o cargo para se lançar candidato ao Senado.

Aécio foi o candidato do PSDB à Presidência da República nas eleições de 2014. No segundo turno, perdeu para a petista Dilma Rousseff, mas com uma votação significativa de 51.038.023 votos, o que o colocou entre os principais líderes da oposição ao governo do PT. Paralelamente, assumiu o mandato de senador por Minas Gerais, exercendo o cargo de 2011 a 2019, e presidiu o PSDB entre 2013 e 2017.

Escândalo de corrupção

O auge da carreira de Aécio coincidiu com o início de seu maior revés. Em maio de 2017, o empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, entregou à Procuradoria-Geral da República uma gravação na qual Aécio pedia R$ 2 milhões.

Em 2017, a Primeira Turma do STF aceitou denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Aécio pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça. Aécio foi acusado de solicitar uma propina de mais de R$ 2 milhões ao empresário em troca de favores políticos e também acusação de tentar dificultar a Operação Lava Jato. Ele negou as acusações.

Assim como outros investigados na Operação Lava Jato, Aécio foi absolvido em todos os casos apurados.

Da posição de "quase presidente", Aécio passou a deputado federal sem grande protagonismo nos anos seguintes, mandato que ocupa desde fevereiro de 2019. Quase uma década depois do episódio, Aécio voltou ao primeiro plano do partido e assumiu novamente a presidência nacional do PSDB, em novembro de 2025.

Com informações de Nathália Ferreira

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

 

 

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