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Conheça a carreira política de Aécio Neves, pré-candidato à presidência

Após governar Minas, presidir a Câmara dos Deputados e disputar a Presidência da República, Aécio Neves volta a ser apontado como opção da PSDB-Cidadania para 2026

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Aécio Neves em terno azul escuro sorrindo e fazendo joia com a mão com painel do PSDB de fundo em amarelo e azul
Aécio Neves ainda não se decidiu sobre candidatura à presidência em 2026 • Kiko Scartezini/PSDB

Mais de uma década depois de ter disputado o segundo turno das eleições à presidência contra Dilma Rousseff, o economista, deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (PSDB), volta ao tabuleiro das eleições presidenciais de 2026. 

A possibilidade de uma nova candidatura surgiu após lideranças do PSDB e do Cidadania passarem a defender a retomada do protagonismo nacional da federação nas eleições de 2026. Antes de avançar com um nome próprio, o grupo chegou a discutir alternativas externas para a disputa.

Entre elas esteve a do ex-ministro Ciro Gomes, que recebeu convite do próprio Aécio, mas optou por permanecer em seu projeto político no Ceará. Com isso, o nome de Aécio ganhou força internamente e passou a ser tratado como a principal opção pra as eleições presidenciais.

Em maio de 2026, a Executiva Nacional do Cidadania aprovou por unanimidade a pré-candidatura de Aécio à eleição da Presidência pela Federação PSDB/Cidadania, e a federação formada por PSDB e Cidadania anunciou oficialmente a aprovação de seu nome.

Do gabinete do avô ao "quase presidente"

Neto de Tancredo Neves, ex-governador de Minas Gerais, Aécio se inseriu na política aos 22 anos, quando se tornou secretário particular do avô materno. Tancredo seria eleito presidente da República em 1985, mas morreria antes de tomar posse. Aécio adquiriu com o avô suas primeiras experiências políticas ao se formar em economia pela PUC Minas. 

Primeiro cargo política de Aécio Neves foi como secretário do avô, Tancredo Neves • Reprodução/Alesp
Primeiro cargo política de Aécio Neves foi como secretário do avô, Tancredo Neves • Reprodução/Alesp

Em 1986, aos 26 anos, ainda tucano, deixou a diretoria de Loterias da Caixa Econômica Federal para se tornar o deputado federal mais votado de Minas Gerais, com 236 mil votos, integrando a Assembleia Nacional Constituinte. Permaneceu na Câmara de 1987 a 2002, somando quatro mandatos, e em 1988 migrou para o PSDB. 

Dentro do partido, Aécio Neves circulou entre nomes como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e José Serra, em uma trajetória que o levou à Presidência da Câmara dos Deputados, cargo no qual adotou postura de contenção de gastos, embora também tenha criado a chamada "verba de gabinete", e investimento em ações de divulgação institucional e pesquisas de opinião sobre o trabalho parlamentar. 

Presidiu a Câmara entre fevereiro de 2001 e dezembro de 2002, renunciando ao mandato de deputado para assumir a transição rumo ao governo de Minas Gerais, para o qual havia sido eleito. 

Aécio no governo de Minas Gerais

Herdeiro político de Tancredo Neves, Aécio assumiu pela primeira vez o governo de Minas em 2003, exatamente 20 anos depois da eleição de seu avô para o mesmo cargo. Foi reeleito governador já no primeiro turno, em 2006, com 73,03% dos votos válidos, a maior votação já registrada na história do estado. Governou Minas Gerais até março de 2010, quando deixou o cargo para se lançar candidato ao Senado. 

Aécio foi o candidato do PSDB à Presidência da República nas eleições de 2014. No segundo turno, perdeu para a petista Dilma Rousseff, mas com uma votação significativa de 51.038.023 votos, o que o colocou entre os principais líderes da oposição ao governo do PT. Paralelamente, assumiu o mandato de senador por Minas Gerais, exercendo o cargo de 2011 a 2019, e presidiu o PSDB entre 2013 e 2017. 

Escândalo de corrupção 

O auge da carreira de Aécio coincidiu com o início de seu maior revés. Em maio de 2017, o empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, entregou à Procuradoria-Geral da República uma gravação na qual Aécio pedia R$ 2 milhões. 

Em 2017, a Primeira Turma do STF aceitou denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Aécio pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça. Aécio foi acusado de solicitar uma propina de mais de R$ 2 milhões ao empresário em troca de favores políticos e também acusação de tentar dificultar a Operação Lava Jato. Ele negou as acusações. 

Assim como outros investigados na Operação Lava Jato, Aécio foi absolvido em todos os casos apurados.

Da posição de "quase presidente", Aécio passou a deputado federal sem grande protagonismo nos anos seguintes, mandato que ocupa desde fevereiro de 2019. Quase uma década depois do episódio, Aécio voltou ao primeiro plano do partido e assumiu novamente a presidência nacional do PSDB, em novembro de 2025. 

Aécio irá concorrer à presidência?

“Se eu estaria disposto a liderar um projeto nacional diferente do que estamos hoje, eu diria que sim. Se me perguntar se estou preparado para conduzir esse processo, eu vou dizer que me preparei como poucos brasileiros ao longo dos últimos 40 anos. Mas se me perguntar se o projeto é viável, eu tenho muitas dúvidas”, relata Aécio Neves ao ser questionado sobre possibilidade de concorrer nas eleições de 2026. 

Embora ainda não tenha decidido se disputará a Presidência da República neste ano, o tucano afirma receber incentivos de eleitores insatisfeitos com o atual cenário eleitoral. Segundo Aécio, parte da população tem escolhido candidatos mais por rejeição aos adversários do que por identificação com suas propostas. 

Ao comentar a eleição de 2026, criticou a polarização política e disse acreditar que há um sentimento de insatisfação entre eleitores que não se veem representados pelos principais nomes colocados até o momento.

Enquanto avalia a viabilidade de sua candidatura, Aécio tem até 15 de agosto para bater o martelo sobre a disputa presidencial, prazo em que os partidos devem registrar seus candidatos na Justiça Eleitoral.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.