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Um dia após condenação, Eduardo Bolsonaro pede a Trump novas sanções contra Moraes

Ex-deputado divulgou vídeo em inglês direcionado ao presidente dos Estados Unidos e voltou a questionar a legitimidade do processo que resultou em sua condenação.

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Ex-deputado Eduardo Bolsonaro • AFP

Um dia depois de ser condenado por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes e pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a retomada de sanções contra o magistrado. A manifestação foi divulgada em inglês na plataforma X para denunciar o que considera perseguição política por parte do Judiciário brasileiro.

No vídeo, o ex-parlamentar afirma que sua condenação seria uma retaliação às articulações que realizou junto a autoridades norte-americanas e defende que medidas internacionais sejam retomadas contra Moraes: "Presidente Trump, por favor, retome a Lei Magnitsky. Esses caras são violadores de direitos humanos", declarou.

Condenação no STF

Na terça-feira, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a Procuradoria-Geral da República e os ministros da Corte, o ex-deputado atuou para pressionar autoridades brasileiras responsáveis por investigações e julgamentos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A pena fixada foi de quatro anos e dois meses de prisão em regime inicial semiaberto, além de multa. A decisão também determinou a inelegibilidade do ex-parlamentar e a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal. Durante o julgamento, os ministros entenderam que Eduardo tentou interferir no funcionamento da Justiça ao buscar sanções internacionais contra integrantes do Judiciário brasileiro.

No vídeo divulgado após a condenação, Eduardo Bolsonaro voltou a afirmar que não reconhece a validade da decisão judicial. Segundo ele, não houve citação formal por meio de carta rogatória, instrumento utilizado para comunicações processuais internacionais. O ex-deputado sustenta que tomou conhecimento dos desdobramentos do processo apenas por reportagens e publicações nas redes sociais: "Tudo o que sei vem da imprensa e das redes sociais", afirmou. Ele também argumentou que sua atuação junto a parlamentares, integrantes do governo americano e autoridades estrangeiras estaria protegida pelas leis dos Estados Unidos e não configuraria crime.

Ao longo do vídeo, Eduardo voltou a direcionar críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator de diversos processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. O ex-deputado afirmou que as sanções internacionais aplicadas contra Moraes não representariam um ataque ao Brasil, mas uma resposta às decisões adotadas pelo magistrado em investigações e processos conduzidos pelo Supremo.

Eduardo também citou casos de aliados bolsonaristas que vivem fora do Brasil e não foram extraditados por países estrangeiros. Entre os exemplos mencionados estão a ex-deputada federal Carla Zambelli, o blogueiro Allan dos Santos e o jornalista Oswaldo Eustáquio. Segundo ele, esses episódios demonstrariam resistência de outros países em atender solicitações de extradição ligadas a decisões do Supremo.

Ao final da gravação, Eduardo Bolsonaro afirmou que pretende continuar sua atuação política internacional e fez referência às eleições presidenciais brasileiras. O ex-deputado declarou apoio à eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República e afirmou que uma futura mudança de governo poderia reverter condenações impostas a integrantes da família Bolsonaro.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.