Presidente do PT cita crise institucional e cobra investigação de denúncias no STF
Edinho Silva defendeu investigação célere e com lisura sobre denúncias envolvendo ministros da Corte; avaliação é de que partido tenta se distanciar da crise

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o Brasil vive uma “crise institucional” diante do conflito entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que todas as denúncias envolvendo integrantes da Corte sejam apuradas com rapidez e transparência.
A declaração foi publicada nas redes sociais na terça-feira (8), em meio ao agravamento da crise no Supremo. Edinho afirmou que a situação é “inegável” e disse confiar na atuação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, para restabelecer o funcionamento da Corte.
Em um vídeo, o dirigente petista diz que as investigações precisam avançar para que a população tenha acesso aos fatos.
Queremos as apurações de todas as denúncias. Queremos que essas apurações sejam aceleradas e conduzidas com muita lisura. O povo brasileiro quer saber a verdade.
Embora não tenha citado nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, a declaração ocorre após o embate entre Moraes e o ministro André Mendonça. Os dois passaram a ser alvo de pedidos de investigação feitos pelos próprios ministros.
Mendonça pediu que Moraes fosse investigado após a divulgação de informações relacionadas à atuação da Polícia Federal e às relações do ministro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em resposta, Moraes solicitou uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade.
A crise se agravou ainda mais na terça-feira (8), quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão foi posteriormente referendada pela Segunda Turma do STF e provocou reação do governo federal.
O episódio levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a convocar uma reunião de emergência com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. A Advocacia-Geral da União já recorreu e prepara outras medidas contra a decisão.
A manifestação de Edinho ocorre em um momento em que o PT busca evitar que a crise no Supremo seja associada diretamente ao governo Lula. Ao defender a apuração de todas as denúncias, o presidente do partido procura sustentar uma posição de defesa das instituições, sem assumir uma defesa automática de nenhum dos ministros envolvidos no conflito.
Edinho também alertou para o risco de grupos considerados por ele antidemocráticos aproveitarem o desgaste do Supremo para explorar politicamente o cenário.
Para o dirigente petista, o momento exige uma resposta institucional e uma “ofensiva democrática”, sem permitir que o sentimento de insatisfação da população seja utilizado para fortalecer candidaturas de forças que, segundo ele, representam o autoritarismo.
A cobrança por uma apuração ampla ocorre também em meio à pressão para que Fachin conduza uma resposta institucional à crise. Na segunda-feira (8), 13 ex-ministros e ex-presidentes do STF divulgaram uma carta pedindo ao atual presidente da Corte que convoque uma sessão pública para tratar dos fatos que, segundo eles, estão comprometendo a autoridade do tribunal e a confiança da sociedade.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



