Belo Horizonte
Itatiaia

Presidente da CNT defende criação do Rodoanel em BH: ‘Além de salvar vidas, reduzirá poluentes’

Vander Costa afirmou que projeto terá impacto positivo para desenvolvimento da região e vai contribuir para redução de poluição ambiental

Por e 
Construção do Rodoanel é opção para destravar o Anel Rodoviário de BH • José Cruz/Agência Brasil

O presidente da Confederação Nacional de Transportes (CNT), Vander Costa, afirmou que o novo Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte tem potencial para salvar vidas e reduzir a emissão de poluentes na Grande BH.

Em entrevista ao Rádio Vivo nesta segunda-feira (22), Costa defendeu que o projeto comece a sair do papel nos trechos em que já foram autorizadas as licenças ambientais.

“O projeto do Rodoanel, em que pese questionamento de alguns municípios, é importante para salvar vidas. E também para reduzir a emissão de poluentes. Um caminhão parado no trânsito congestionado está emitindo gás e não está andando. Em um rodoanel teremos fluxo. O que estamos defendendo é começar a fazer as partes que já estão com licenciamento liberado. Depois do primeiro trecho pronto, a população vai exigir que os outros trechos sejam feitos também”, afirmou o presidente da CNT.

O projeto, que vem sendo alvo de críticas por parte de alguns candidatos ao governo de Minas Gerais, se tornou motivo de uma disputa judicial e política no estado.

A Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) aguarda o parecer da Justiça sobre a Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) feita pela Federação Quilombola, responsável por representar as comunidades tradicionais.

O que trava o andamento do Rodoanel de BH?

Em outubro do ano passado, a Justiça Federal em Minas Gerais determinou a suspensão da licença prévia do governo de Minas concedida para a empresa INC SPA para o início das obras de construção do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte.

A decisão obrigou o estado a consultar comunidades afetadas pela obra da nova rodovia.

Na ocasião, a Federação das Comunidades Quilombolas apontou que a construção do Rodoanel "pode causar danos sociais irreparáveis, tais como remoções de comunidades inteiras, destruição de sítios arqueológicos ou de importância cultural, desestruturação de modos de vida tradicionais, além do aumento de situações como ameaças, violências diversas e até extermínio".

Desde então, o projeto está parado.

À Itatiaia, um dos advogados da Federação Quilombola, Matheus de Mendonça Gonçalves Leite, revelou que uma audiência de instrução do processo foi realizada entre os dias 20 e 21 de maio. Nela, o TRF-6 ouviu todas as testemunhas arroladas para falar em nome das comunidades tradicionais.

Dois entraves são essenciais para a disputa judicial: a federação entende que 137 comunidades precisam ser consultadas pelo governo, que quer esse número reduzido para 14; e as comunidades exigem uma mudança do traçado do Rodoanel para que ele contorne Vargem das Flores, em Contagem.

“É um dos últimos espaços na Região Metropolitana que esses povos têm para fazer seus rituais religiosos”, afirmou Matheus, em entrevista à reportagem.

A expectativa é que, ao longo dos próximos meses, a Justiça tome uma decisão acerca do impasse.

O que prevê o projeto do Rodoanel?

O projeto do Rodoanel da Região Metropolitana de BH é uma parceria público-privada (PPP) que prevê a elaboração de projetos, construção e operação da nova rodovia pelo prazo de 30 anos. A obra foi apontada pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) como principal medida para retirar o trânsito pesado do Anel Rodoviário de BH.

O Rodoanel prevê a construção de quatro trechos (Norte, Oeste, Sudoeste e Sul) e extensão de 100,65 quilômetros e com a finalidade de interligar diversas rodovias que passam pela região metropolitana de Belo Horizonte.

O início das obras no Rodoanel estava previsto para o segundo semestre de 2025. Até então, no entanto, o impasse permanece até hoje.

Por

Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.

Por

Antes de trabalhar no rádio, Eduardo Costa foi ascensorista e office-boy de hotel, contínuo, escriturário, caixa-executivo e procurador de banco. Formado em Jornalismo pelo UNI-BH, é pós-graduado em Valores Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, possui o MBA Executivo na Ohio University, e é mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Agora ele também está na grande rede!