André Mendonça nega pedido do PL contra vídeo de Guilherme Boulos
Ministro do TSE manteve vídeo com crítica a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no ar e afirmou que conteúdo está protegido pela liberdade de expressão

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido de urgência apresentado pelo Partido Liberal (PL) para retirar das redes sociais um vídeo publicado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. A decisão foi assinada na última sexta-feira (19) e publicada nesta segunda-feira (22).
A ação foi protocolada pelo PL após uma publicação feita por Boulos no Instagram, em 26 de maio, com a legenda: "Será que o Flávio Bolsonaro levou essa pauta para o Trump?".
No vídeo, Boulos comenta declarações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre um pedido feito ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) fossem classificados como organizações terroristas.
Na sequência, o ministro questiona se Flávio Bolsonaro também teria pedido a Trump que classificasse milícias do Rio de Janeiro como organizações criminosas. Boulos cita ainda a contratação, no passado, de familiares do ex-policial e miliciano Adriano da Nóbrega em gabinete ligado à família Bolsonaro.
Na representação, o PL argumentou que a publicação extrapola os limites da crítica política e associa indevidamente Flávio Bolsonaro a organizações criminosas. O partido afirmou que o conteúdo seria ofensivo à honra e à imagem do senador e pediu a remoção imediata do vídeo, além da proibição de novas publicações semelhantes.
Ao analisar o pedido liminar, André Mendonça concluiu que não havia elementos suficientes para determinar a retirada imediata do conteúdo. Segundo o ministro, a publicação está inserida em um debate político sobre segurança pública, combate ao crime organizado, atuação de milícias e relações internacionais, temas que possuem evidente interesse público.
Na decisão, Mendonça afirmou que a crítica política, mesmo quando dura ou desfavorável a um agente público, deve receber proteção reforçada da liberdade de expressão. O magistrado também destacou que, em análise preliminar, não identificou a divulgação de fatos sabidamente falsos nem descontextualização grave que justificasse uma intervenção urgente da Justiça Eleitoral.
Com isso, o vídeo permanece no ar. O processo seguirá em tramitação no TSE e ainda será analisado pelo plenário da Corte Eleitoral.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



