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Após operação da PF, Jaques Wagner deve se reunir com Lula nesta semana

Alvo de operação da Polícia Federal, líder do governo no Senado enfrenta pressão interna, mas resiste a deixar o cargo

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Senador Jaques Wagner
Senador Jaques Wagner • Antônio Cruz | EBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir nos próximos dias com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para discutir o futuro do parlamentar no cargo. O encontro ocorre após a operação da Polícia Federal que teve o senador como alvo na última quinta-feira (19).

Nos bastidores, a permanência de Jaques Wagner na liderança passou a ser questionada, e integrantes do governo avaliam uma eventual mudança na função. O senador, porém, resiste à possibilidade de deixar o posto, especialmente em meio à disputa pela reeleição neste ano.

A agenda do presidente deve determinar a data da reunião. Nesta segunda-feira (22), Lula cumpre compromissos no Rio de Janeiro e, em seguida, deve seguir para São Paulo. Antes da conversa com o chefe do Executivo, a expectativa é que Jaques Wagner se reúna com lideranças do PT.

Inicialmente, Lula havia solicitado que o senador retornasse da Bahia para Brasília logo após a operação da PF, mas o encontro acabou sendo adiado em razão dos desdobramentos da investigação.

Pressão interna

Integrantes do governo defendem uma resposta política às investigações envolvendo o parlamentar e avaliam que o caso pode ter impacto no cenário eleitoral e na campanha de Lula.

Aliados de Jaques, entretanto, destacam dois fatores que podem favorecer sua permanência na liderança. O primeiro é a influência do senador na Bahia, onde busca a reeleição e aparece entre os principais nomes na disputa pelas duas vagas ao Senado que estarão em jogo neste ano.

O segundo é a relação de confiança construída com Lula ao longo de décadas. Jaques Wagner ocupou diferentes ministérios nos governos petistas e é considerado um dos aliados mais próximos do presidente.

O próprio senador afirmou que não pretende pedir para deixar a liderança.

“Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, declarou.

Liderança já enfrentava desgaste

As críticas à articulação política de Jaques Wagner não começaram com a operação da PF. Há dois meses, aliados do governo atribuíram ao senador parte da responsabilidade pela derrota do então advogado-geral da União, Jorge Messias, na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ocasião, o Palácio do Planalto esperava aprovar o nome de Messias com folga, mas viu a indicação ser rejeitada em uma derrota considerada histórica.

O que investiga a PF

A nona fase da Operação Compliance Zero apura supostas ligações entre pessoas do entorno familiar de Jaques Wagner e empresários ligados ao extinto Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador teria recebido vantagens econômicas de forma indireta por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas relacionadas ao banco.

Durante a operação, agentes apreenderam cerca de US$ 55 mil, € 33 mil e relógios em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e Salvador.

A investigação também aponta suspeitas envolvendo a aquisição de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões, além do uso de jatinhos particulares e outros benefícios supostamente concedidos por pessoas ligadas ao banco.

Jaques Wagner nega irregularidades. As investigações seguem em andamento.

 

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