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Vereadora de BH fala em 'retaliação política' após derrota de projeto na Câmara

Semanas atrás, Marcela Trópia e Wanderley Porto protagonizaram uma discussão nas redes sociais após a aprovação de um texto que prevê a entrada de pets em supermercados

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Wanderley Porto (PRD) e Marcela Trópia (Novo). • Denis Dias | Karoline Barreto / CMBH.

Um projeto de lei rejeitado em segundo turno na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), nesta quinta-feira (9), marcou um novo episódio do atrito entre a vereadora Marcela Trópia (Novo) e o vereador Wanderley Porto (PRD). O texto, de autoria da parlamentar, previa a flexibilização, em alguns casos, das regras para a instalação de letreiros em imóveis protegidos da capital mineira.

A proposta, no entanto, apesar de ter sido aprovada em primeiro turno, foi derrotada na segunda rodada de votação, com a maioria dos parlamentares acompanhando o vereador Pedro Patrus (PT), que apresentou diversas emendas para obstruir a pauta.

Para a Itatiaia, a vereadora Trópia afirmou acreditar que o episódio se tratou de uma "retaliação política", supostamente liderada por colegas que ficaram incomodados com o posicionamento dela em relação a outro projeto, de autoria de Porto.

Entenda a discussão entre os parlamentares

No último mês, o Legislativo aprovou, em primeiro turno, uma proposta que permitia a entrada de animais de estimação em supermercados da capital mineira. Foram 30 votos favoráveis, cinco abstenções e um único voto contrário: o de Trópia.

Nas redes sociais, ela afirmou que apresentou uma emenda ao projeto para tentar evitar a aprovação, alegando que a presença de animais em espaços onde há alimentos expostos poderia provocar situações de "risco sanitário" e problemas de "convivência" entre os próprios pets.

Autor da proposta, Wanderley Porto rebateu e afirmou que a vereadora "demonstrou total desconhecimento do projeto, principalmente dos protocolos de segurança". "Mas você sempre gosta de jogar para a galera, né, Marcela? Desculpe, Trópia. Mais um ponto para suas emendas terem chances de sucesso: tente participar do plenário presencialmente no dia. Pois participar presencialmente não tem sido seu forte", disse.

"Vereador, eu represento o posicionamento de centenas de supermercados e, claramente, da população... Basta ver os comentários neste post. Fazer emendas a projetos é minha prerrogativa como parlamentar. Não fique ofendido e, se não forem aprovadas, faz parte. Enquanto o plenário for espaço para projetos caça like, em vez de focar nos problemas reais da cidade — lixo, pessoas nas ruas, saúde, educação e transporte —, eu prefiro trabalhar fora de lá mesmo... Mas quem quer jogar para a galera sou eu, né?", rebateu Trópia.

Plenário desta quinta-feira

Para a reportagem, Trópia afirma os votos contrários que a proposta recebeu nesta quinta-feira não tiveram relação com o mérito do projeto, mas sim com "uma ideia de retaliação política, que passou por cima não só do teor do texto, mas também de alinhamentos ideológicos históricos da Casa". "O que vimos foi uma mudança de votos motivada por questões pessoais, e não pelo mérito da proposta. Quem perde com isso é a cidade e os empreendedores, que deixam de ter uma legislação mais moderna e capaz de conciliar preservação e revitalização urbana", afirmou.

Procurado pela Itatiaia, o vereador Wanderley Porto negou qualquer tipo de retaliação. De acordo com ele, "não há absolutamente nada de pessoal" no voto contrário dele nem no dos demais parlamentares ao projeto rejeitado pela Casa. "Afirmar que os votos contrários decorreram de 'questões pessoais' acaba desmerecendo o trabalho, a dedicação e a seriedade com que cada parlamentar exerce seu mandato. Divergências em relação ao conteúdo de um projeto fazem parte do processo democrático e não devem ser confundidas com conflitos pessoais", declarou.

Segundo Porto, o voto "não" ao texto de Trópia foi meramente técnico e fundamentado em uma "análise do projeto". "Tenho respeito pela vereadora e por sua atuação, mas isso não significa concordar com todas as propostas que ela apresenta. Democracia é justamente isso: debater ideias e votar conforme a própria convicção, sempre com responsabilidade e respeito", disse.

A proposta rejeitada no Plenário propunha uma alteração no Código de Posturas de Belo Horizonte para flexibilizar as regras de publicidade em áreas protegidas. O texto sugeria que o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural tivesse autonomia para autorizar anúncios fora dos padrões habituais, desde que a medida ajudasse a promover ou valorizar o patrimônio histórico local.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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A coluna Poder em Minas é um espaço para a publicação de informações de bastidores, análises e apurações exclusivas dos repórteres de política da Itatiaia. A partir dos textos no portal e vídeos nas redes sociais, a equipe da redação mantém os ouvintes, espectadores e leitores bem informados sobre as movimentações que arquitetam o cenário das eleições de 2026.