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'Pode chorar', 'quem tem medo da PF?', 'estou triste': veja as frases da sessão do STF

Sessão termina com placar fica em 4 a 3 para julgar separadas petições de Alexandre de Moraes e André Mendonça na Corte

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Rosinei Coutinho/STF.

A sessão extraordinária desta terça-feira (15), no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, foi marcada por bate-bocas, ataques verbais entre os ministros, falta de compreensão dos magistrados sobre os ritos processuais e indefinição da abertura ou não de uma investigação contra Alexandre de Moraes por suposta relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem, pedindo a união dos processos envolvendo os colegas Moraes e André Mendonça, o que acabou impedindo que a votação sobre a abertura de uma apuração contra o próprio Moraes fosse discutida ainda nesta terça. A sessão foi encerrada com quatro votos contrários, inclusive o do relator, presidente do Supremo, Edson Fachin, e três favoráveis.

Flávio Dino, no entanto, fez um pedido de vista, o que deu para a Corte até 90 dias pare retormar as discussões. O processo é paralisado até o fim do prazo.

Frases fortes

A sessão, iniciada às 10h e encerrada depois das 18h, foi marcada por frases fortes dos magistrados.

Ataque de Gilmar Mendes a André Mendonça

— "Há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos nesse inquérito. Escolha de data, 7 de setembro, envolvendo essa Corte em campanha eleitoral. Isso não se faz".

— "O interesse é evidente. Acachapante. Extravagante. Evidente que se trata de um 'pixuleco', de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando…"

— "Pessoas decentes não fazem isso. (...) Até a máfia tem ética".

André Mendonça para Gilmar Mendes

— "Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um".

André Mendonça e Alexandre de Moraes

—  "Não há como julgar hoje [a situação de Moraes] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?" (perguntou Moraes).

—  "Não é questão de medo não" (respondeu Mendonça).
— "Eu não estou perguntando a vossa excelência" (afirmou Moraes).

"Mas eu estou lhe respondendo", (disse Mendonça).

— "Então vamos chamar as testemunhas. Vamos chamar?" (indagou Moraes).

—  "Mentira, mentira", (declarou Mendonça).

— "Podem chamar quem quiser, vão mentir" (declarou Mendonça).

Outro ponto de atrito entre Gilmar Mendes e Mendonça

— "É impressionante a desfaçatez desse sujeito" (disparou Mendes para Mendonça).

— "A desfaçatez de vossa excelência. Me respeite. Isso aqui não é brincadeira não" (rebateu Mendonça).

— "Pode chorar" (concluiu Gilmar Mendes).

Gilmar Mendes sobre a sessão extraordinária

— "Estamos vivenciando uma realidade de um serviço muito mal feito".

Referiu-se à desorganização da sessão extraordinária.

Após ponderação do presidente Edson Fachin sobre a sessão, Gilmar Mendes ponderou, mas manteve a crítica.

— “Não estou imputando (a confusão) à presidência, mas todo esse relato é extremamente preocupante".

Mendes se referiu aos relatos de todos os ministros sobre falta de rito, descumprimento de atos processuais e a exposição da desorganização do STF.

Em dado momento, Gilmar Mendes citou uma frase em alemão para representar o dia no STF.

— “Eine grosse Konfusion”, que significa, em tradução livre, “uma enorme confusão”.

A frase foi usada em meio à discussão sobre como seriam analisados os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Gilmar Mendes usou a referência por ter estudado na Alemanha.

Flávio Dino a Edson Fachin

Flávio Dino, que fez duras críticas a Edson Fachin pelos ritos da sessão, em dado momento disparou:

— “Sessão desastrada”.

Cármen Lúcia pediu desculpas ao Brasil pelo dia vergonhoso no STF • Rosinei Coutinho/STF
Cármen Lúcia pediu desculpas ao Brasil pelo dia vergonhoso no STF • Rosinei Coutinho/STF

Frases de Cármen Lúcia sobre a sessão no STF

— “Estou em estado de consternação e tristeza". 

— “O STF provocou um mal-estar cívico, nos cidadãos e nas cidadãs brasileiras. Peço desculpas!". 

— "Me sinto envergonhada, a menos de 20 e poucos dias das Eleições, estarem todos voltados para o Supremo".

— "O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo e nós geramos intranquilidade".

— "Peço desculpas a todos os colegas por não ter ajudado a termos superado isso. E peço desculpas ao povo brasileiro de não ter tido uma postura diferente. Houve espetacularização desses casos, dessa sessão mesmo, que não faz mal só ao Supremo e ao Poder Judiciário, mas faz mal ao país".

— "Como uma velha avulsa, eu não sofri pressão nenhuma e não sofro pressão nem de dentro e nem de fora nas minhas decisões. Falo por mim, mas falo em nome dos colegas. Nós temos independência necessária para sermos juízes".

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

 

 

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