Para uma plateia de costas, presidente da Copasa fala em audiência sobre privatização

Passalio teve dificuldades ao começar sua fala, que foi abafada pelas vaias dos servidores

Audiência pública na Assembleia Legislativa discutiu a privatização da Copasa

O presidente da Copasa, Fernando Passalio, participou da audiência pública sobre a privatização da Companhia de Saneamento do estado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quarta-feira (22). Com milhares de servidores da estatal lotando a Casa, a fala do diretor foi marcada por protestos.

Passalio teve dificuldades ao começar sua fala, que foi abafada pelas vaias dos servidores. Presidente da Comissão do Trabalho, Previdência e da Assistência, o deputado Betão (PT) precisou intervir e pedir que a plateia ouvisse o presidente da Copasa para o prosseguimento da audiência. Os trabalhadores trocaram as vaias por ficar de costas para o diretor durante seu discurso.

O presidente da Copasa foi escolhido pelo governador Romeu Zema (Novo) e já integrava a administração do Executivo antes de assumir a companhia de saneamento.

Com um relatório em mãos, Passalio apresentou um balanço com números da Copasa sob sua gestão. Ele defendeu que a legislação brasileira obriga que empresas de saneamento universalizem seus serviços e que isso implicaria na contratação de mais profissionais de forma perene. Uma das críticas contra a privatização diz respeito ao receio de que servidores percam o emprego.

“Existe uma é urgência para atingir a universalização dos serviços de água e esgoto em todo o território atendido pela Copasa. […] O único setor da economia do Brasil que é obrigado por lei a crescer é o do saneamento. O Marco Legal em 2020 trouxe essa obrigação para todas as empresas do Brasil, sejam públicas ou privadas”, afirmou.

A audiência pública aconteceu concomitantemente à discussão em plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023. De autoria do governador Romeu Zema, o texto prevê a derrubada da exigência de um referendo popular para a privatização da Copasa.

O que diz a PEC do referendo?

No início do século, durante o governo de Itamar Franco, a Assembleia aprovou por unanimidade a inclusão de um artigo na Constituição de Minas Gerais que obriga a realização de um referendo popular para aprovar a privatização das estatais de gás natural, energia elétrica e saneamento.

A PEC 24/2023 buscava retirar esse artigo e viabilizar a privatização de Cemig e Copasa. Após acordos entre os deputados, o texto foi alterado e manteve apenas a retirada do referendo para a Copasa.

A Copasa no Propag

A privatização da Copasa já integrava a pauta do governo Zema desde o primeiro mandato, mas ganhou novo fôlego com a criação do Propag. Com o projeto permitindo a privatização e federalização de ativos como forma de pagar a dívida com a União, vários projetos da pauta privatista do Executivo andaram na Assembleia após anos parados.

O Propag prevê que estados refinanciem em 30 anos a dívida com a União e estabelece mecanismos para reduzir os juros cobrados sobre as parcelas. O projeto do Executivo Estadual é ingressar no programa abatendo 20% do estoque devido.

Para obter o valor necessário na amortização da dívida, o Executivo enviou projetos para federalizar ou privatizar estatais à Assembleia. No caso da Copasa, além do texto específico que trata sobre a venda da companhia de saneamento, o governo precisa retirar da constituição a necessidade de realizar um referendo para autorização da privatização.

Hoje os juros são indexados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% ao ano. Se o estado conseguir amortizar 20% do estoque da dívida, dois pontos percentuais da cobrança adicional são abatidos.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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