Pacheco quer agilidade em PL que pode garantir verba aos ônibus de BH; Senado pode votar texto na próxima semana
Presidente do Congresso Nacional recebeu, em Brasília (DF), representantes dos poderes Legislativo e Executivo da capital mineira, que buscam caminhos para baixar passagem

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), passou a engrossar a articulação pela aprovação de um projeto de lei (PL) que tramita no Congresso Nacional e pode garantir mais recursos públicos ao transporte coletivo das capitais, como Belo Horizonte. Nesta quinta-feira (5), ele conversou com o relator do texto no Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), e pediu agilidade na análise do texto.
A conversa entre Pacheco e Vital do Rêgo — que prometeu protocolar relatório favorável à proposta ainda hoje — ocorreu em meio a uma visita de representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e da Câmara Municipal ao presidente do Senado.
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Os poderes Executivo e Legislativo da capital mineira enxergam o projeto como saída para aliviar o custo repassado aos cidadãos por meio das passagens de ônibus — hoje, a tarifa-base na cidade é R$ 6.
Um dos tópicos do projeto prevê a destinação, ao transporte público das capitais, de 60% da arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os combustíveis.
À Itatiaia, Pacheco disse ser “plenamente possível” que o projeto seja aprovado nas duas casas do Congresso Nacional ainda neste ano. Depois da análise do Senado, a proposta vai ser examinada pelos deputados federais.
“Não é um projeto de grande complexidade — e, inclusive, muito útil para o Estado brasileiro e para os municípios. Não vejo muitas controvérsias no projeto. Acho que vamos ter boa aceitação no Senado Federal. Daremos andamento a partir dessa solicitação (dos poderes Executivo e Legislativo de BH)”, afirmou.
Neste momento, o projeto está sob análise na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado. O comitê é terminativo e, portanto, se houver aval de seus integrantes, o texto estará pronto para seguir rumo à Câmara.
O presidente da Câmara de BH, Gabriel Azevedo (sem partido), esteve na capital federal para conversar com Pacheco. Ele disse crer que o projeto pode ser analisado pela Comissão de Infraestrutura do Senado já na próxima semana.
Azevedo lembrou que o texto não trata apenas de direcionar a Cide aos cofres públicos das capitais, mas da criação de um marco nacional da mobilidade, com regras sobre a oferta dos veículos coletivos.
“Estamos falando de ônibus novos, estações, vias e faixas exclusivas. Tudo isso ajuda na mobilidade de Belo Horizonte”, pontuou.
O vereador quer estabelecer pontes junto à Câmara dos Deputados para acelerar a tramitação da proposta na Casa. Só depois disso é que o projeto chegará às mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para sanção ou veto.
Projeto pode viabilizar revisão de contrato
O projeto que destina a Cide à mobilidade urbana tem, ainda, artigo para permitir a revisão de contratos firmados entre o poder público e os concessionários do transporte público. O mecanismo interessa Belo Horizonte, uma vez que a prefeitura pretende criar uma comissão para rever os termos do acordo assinado em 2008 com as empresas — e, consequentemente, convocar nova licitação.
O entendimento do prefeito Fuad Noman (PSD) e de Gabriel Azevedo é que o contrato em vigor está “superado” e precisa sofrer adequações.
“Não é só Belo Horizonte que sofre com um contrato completamente defasado, de 2008, e que ainda não considerava situações que as cidades vivem, (como) transporte por aplicativo e aumento de veículos. É fundamental trazermos as pessoas de volta para o sistema coletivo. Não apenas as classes C e D, mas as classes A e B, como acontece em qualquer cidade do mundo onde a mobilidade funciona”, disse o presidente do Legislativo, após a agenda com Pacheco.
Fuad, aliás, não pôde comparecer à reunião. Ele foi representado por Daniel Messias, seu chefe de gabinete.
Entenda equação para baixar passagem
O embarque nos ônibus belo-horizontinos custa R$ 6 desde a semana passada. O valor representa reajuste de 33% em relação à tarifa anterior, fixada em R$ 4,50. Além do projeto da Cide, a prefeitura se ampara na ideia de conceder subsídio público às empresas e, assim, diminuir os impactos repassados aos usuários.
O Executivo tenta conseguir, junto à Câmara, o aval a um projeto que autoriza a concessão de subvenção até o limite de R$ 476 milhões. Nessa quarta feira (3), em entrevista exclusiva à Itatiaia, Fuad Noman explicou que o poder público não tem dinheiro em caixa para conceder o teto do subsídio.
A equação do prefeito, então, considera aporte público e aumento da tarifa em relação aos antigos R$ 4,50, mas em patamar inferior aos atuais R$ 6.
“Esse valor (de subsídio), em torno de R$ 480 milhões, considera a passagem a R$ 4,50. A prefeitura não tem condições de pagar os R$ 480 milhões. Estamos propondo uma pequena elevação da tarifa — com redução proporcional do subsídio”, ponderou.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.

