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Mesmo com pressão no Senado, Alcolumbre evita se envolver na crise do STF

Presidente do Senado é pressionado a se posicionar sobre os desdobramentos envolvendo ministros do Supremo, mas tenta manter distância do conflito

PorBrasília
Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre • Senado Federal

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem resistido a assumir protagonismo na crise que envolve ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), apesar do aumento da pressão política para que a Casa se posicione diante dos últimos acontecimentos.

A crise se intensificou nos últimos dias após o embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, envolvendo investigações relacionadas ao caso do Banco Master e informações produzidas pela Polícia Federal. O episódio abriu uma nova frente de tensão entre integrantes do Judiciário e passou a repercutir diretamente no Congresso.

No Senado, parlamentares da oposição defendem que Alcolumbre dê andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. O presidente da Casa, porém, evita antecipar decisões e procura não transformar o Senado em mais um palco da disputa interna do STF.

A postura também está relacionada ao cenário político de 2026. Alcolumbre precisa administrar diferentes grupos dentro do Senado e preservar sua articulação para a próxima legislatura. Ao mesmo tempo, parlamentares bolsonaristas aumentaram a pressão pela abertura de processos contra ministros do Supremo.

A possibilidade de impeachment, que durante muito tempo era tratada como remota entre senadores, passou a ser considerada de forma mais concreta diante da atual crise. Aliados de Alcolumbre avaliam, no entanto, que o presidente do Senado tende a aguardar o avanço das investigações e o ambiente político antes de tomar uma decisão definitiva.

O cenário coloca Alcolumbre diante de um dilema. De um lado, há pressão de setores da oposição para que o Senado exerça sua prerrogativa constitucional de analisar eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF. De outro, uma movimentação mais incisiva poderia aprofundar o conflito entre os Poderes e atingir a relação institucional do Senado com o Supremo.

A crise ganhou ainda mais repercussão depois que Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão provocou reação dentro da própria Corte e levou o presidente do STF, Edson Fachin, a cobrar explicações do ministro.

Enquanto isso, Alcolumbre tenta manter o foco do Senado na agenda legislativa e evitar que a disputa entre os ministros do Supremo seja incorporada à pauta política da Casa.

A estratégia, porém, pode ficar cada vez mais difícil caso os desdobramentos das investigações provoquem novas decisões envolvendo ministros do STF ou aumentem a pressão de senadores por medidas contra integrantes da Corte.

O presidente do Senado já declarou anteriormente que existem dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, mas evitou indicar se pretende dar andamento a algum deles.

Com o agravamento da crise, a posição de Alcolumbre passa a ser acompanhada de perto tanto pelo governo quanto pela oposição. A avaliação no Congresso é que qualquer movimento do presidente do Senado poderá ter impacto direto na relação entre Legislativo e Judiciário e no equilíbrio político às vésperas das eleições.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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