Gabriel Azevedo aciona Justiça contra Ben Mendes e lista prisão e ocorrência contra mulheres
Notícia-crime é relativa ao bate-boca entre os candidatos ao Governo de Minas em um debate eleitoral; Mendes afirma que foto em que ele aparece preso foi feita com inteligência artificial

A campanha de Gabriel Azevedo (MDB) ao Governo de Minas apresentou uma notícia-crime à Justiça Eleitoral pedindo o enquadramento de Ben Mendes (Missão), seu adversário na corrida ao Palácio Tiradentes, nos crimes de difamação eleitoral e injúria eleitoral. A representação foi protocolada na última sexta-feira (4) e faz uma extensa relação de registros policiais envolvendo Mendes, incluindo uma prisão em flagrante e indiciamentos por ameaças e lesão corporal contra mulheres.
A acusação baseia-se nas declarações de Mendes ocorridas durante o debate com postulantes ao Governo de Minas promovido em 2 de setembro pela Rádio TMC e pela TV Sim Brasil. Na ocasião, os dois adversários trocaram farpas e Gabriel foi chamado de mentiroso após dizer que o candidato do Missão havia faltado ao debate anterior, organizado pela TV Horizonte, e que não havia disponibilizado seu plano de governo no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A petição inicial defende que as acusações de Ben Mendes de que Gabriel estaria espalhando "fake news" extrapolam o limite da crítica política e entram na esfera penal.
Na argumentação, a equipe de Gabriel Azevedo levanta o histórico do adversário nos registros policiais para corroborar a argumentação de que Ben Mendes tem um histórico de agressividade.
O histórico de ocorrência de Ben Mendes começou a ser registrado formalmente em 19 de fevereiro de 2015, na comarca de Itambacuri, no Vale do Rio Doce. Na ocasião, Mendes foi preso em flagrante pela Polícia Civil pelos crimes de desacato e por contravenções penais de exercício ilegal de profissão ou atividade e recusa de dados sobre a própria identidade.
Após passar pelo Presídio de Itambacuri, ele obteve liberdade provisória mediante o pagamento de fiança. O processo resultou em uma transação penal homologada em 28 de junho de 2017, na qual Mendes foi condenado ao cumprimento de medidas restritivas de direitos por dois anos, que incluíram uma multa de dois salários mínimos, proibição de frequentar bares ou estabelecimentos similares e a obrigação de se apresentar mensalmente em juízo
A petição de Gabriel Azevedo lista ainda uma série de procedimentos investigativos e processos contra Ben Mendes por crimes contra a honra que apenas não resultaram em condenações definitivas porque os prazos da Justiça expiraram.
Um dos destaques listados na representação envolve um inquérito policial instaurado em 2026, quando Ben Mendes foi oficialmente indiciado por uma série de crimes graves praticados contra duas mulheres.
Por esse caso, as ações do hoje candidato ao Governo de Minas foram potencialmente enquadradas como intimidação sistemática, incitação ao crime, ameaça, desobediência, difamação e injúria. Este inquérito policial e os processos decorrentes ainda se encontram ativos e em andamento na Justiça.
A resposta de Ben Mendes
À reportagem, Ben Mendes respondeu que a notícia-crime apresentada por Gabriel Azevedo à Justiça Eleitoral é uma represália. O candidato afirma ainda que seu adversário usou inteligência artificial para produzir uma imagem falsa em que o candidato do Missão aparece preso.
“O candidato Gabriel Azevedo, por ter sido chamado no debate de Gabriel Mentirinha, faz jus a alcunha e publica uma imagem falsa, feita por inteligência artificial, para além disso, me estranha o fato de um candidato tão irrelevante como eu, segundo o Gabriel Azevedo, despertá-lo na necessidade de gravar um vídeo de 27 minutos, tentando me descredibilizar”, afirmou.
A imagem em questão foi divulgada por Gabriel Azevedo em suas redes sociais e veiculada para a imprensa. A reportagem entrou em contato com a equipe de Gabriel Azevedo, que disse que o registro da prisão está nos documentos utilizados para a confecção da representação.

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



